151 - (des) responsabilização III

«Era uma vez, uma sexta-feira (2006.02.03) havia um prémio muito grande num concurso chamado: euro-milhões... os meus colegas efectuaram uma sociedade e convidaram-me a participar, recusei, dizendo: não preciso de dinheiro [na realidade acredito na justa recompensa fruto do trabalho, do talento e da competência, recuso-me a acreditar e a aceitar dinheiro fruto do compadrio, da corrupção e do jogo]. Esta atitude de assumir com actos aquilo que defendo teoricamente, não me impediu de pensar: e se lhes sair o prémio?»
É, precisamente, esse se que procuro combater.
Procuro enfrentar o presente e o futuro de peito aberto, agindo, assumindo as consequências dessas acções.
Pensarmo-nos, pensarmos os outros é a atitude correcta. Como um jogador de xadrez, movimentarmo-nos no tabuleiro da vida "pesando" cada movimento.
Tinha prometido que falaria em Robinson, nos "yuppies" e no náufrago; falarei para dizer o seguinte: todos à sua maneira criam/queriam uma sociedade onde eles como ser individual são o referente que só se realiza/concretiza com o(s) outro(s).
Eles são Luís XIV (L'etat c'est moi) numa sociedade imaginada.
Luís reinventa-se numa sociedade francesa, num mundo criado, numa natureza domada (os jardins de Versailles) à sua medida.
Robinson evidencia-se em oposição a "Sexta-Feira".
Os "yuppies" (anos oitenta/noventa) viveram virados para fora o importante era a ideia que os outros faziam deles não a sua interioridade.
O náufrago encontra-se, realiza-se no diálogo com uma bola de voleibol... um hino, provavelmente, à paz, o "volei" é um dos poucos desportos de equipa onde não há contacto físico entre os jogadores.
2 Comments:
eu também acredito(tava)em tanta coisa, Pedro... mas isso não me impediu de jogar.
eu sei que o jogo é um vício, mas eu não me importaria de ser um viciado... rico!
quanto ao tabuleiro da vida, acho que estou a jogar xadrez com as regras das damas!
Não sei o que te diga... o que restará de nós quando morrerem os sonhos?
Baixar os braços não me parece a melhor opção, embora, por vezes, também, me sinta a lutar contra moinhos de vento.
Quanto às regras das damas, parece-me bem, afinal, são sempre as damas que nos fazem jogar segunda as suas (delas) regras.
(neste texto acho que coloquei vírgulas por mim e pelo sr. Saramago)
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