599 - o irmão do outro

Não gostei.
Tornou-se penoso assistir a dois dos nossos melhores actores perdidos em palco a debitarem um texto repleto de estereótipos (um mau texto e um mau encenador, digo eu que não sou crítico teatral).
Este «post» resulta do artigo publicado ontem na pág. 48 da XIS (n.º 395) .
Diz Sampaio:
«Sou de opinião que nada poderia ter sido decidido sem ouvir com toda a atenção os pais adoptivos, as pessoas que cuidaram da Esmeralda desde os três meses»
Diz o acórdão:
«Esmeralda Porto nasceu no dia 12 de Fevereiro de 2002 (...) Baltazar é notificado, nos autos de averiguação da paternidade comparecendo no tribunal (Sertã) perfilhando de imediato a menor no dia 24 de Fevereiro de 2003.»
Digo eu:
«A criança foi "entregue" com três meses (atenção que estamos a falar de uma criança e não de um saco de batatas) estaria, portanto, com os "pseudo pais adoptivos" há nove meses. O tribunal decide atribuir a poder paternal ao Pai, se a decisão fosse acatada nada do que a seguir se passou ocorreria»
Diz Sampaio:
«Laços biológicos são importantes, mas não são garantia de bons cuidados»
Diz o acórdão:
«Os esforços já desenvolvidos para que a menor Esmeralda seja entregue à guarda e aos cuidados do assistente Baltazar Nunes foram sempre obviados pela actuação do arguido e Maria Adelina, quer com a denegação expressa da tradição da menor para o assistente, quer com o ocultamento do local onde a mesma se encontra, mudando por diversas vezes de residência. »
Digo eu:
«Bons cuidados será no entender de Sampaio andar com a menina a fugir da justiça, alterando a residência (e o próprio nome da criança para Ana Filipa).
Quando pessoas assim são considerados reputados especialistas em educação (e teatro?) que futuro podemos esperar?»
o texto do acordão está disponível aqui...
9 Comments:
A adopção è um acto legitimo, mas de acordo com as leis.
Ora nem mais.
A permitir-se esta situação daqui até à venda de crianças seria um passo, um pequeno passo.
Excelente post, Pedro. Sintético, objectivo e na "mouche".
«A permitir-se esta situação daqui até à venda de crianças seria um passo, um pequeno passo.»
Certamente.
Então, no caso concreto em apreço, vamos devolver (a criança não é coisificável) a menina ao pai biológico... argumento fundamental: um laço de sangue.
Tretas!!!!
ESTAR ou SER vagabundo de si deve ser um tormento existencial.
Dizer banalidades só o será para quem as toma enquanto tais, ainda que, existam certas banalidades que apenas na aparência o sejam.
Então, existem ou não banalidades?
Dizer por um lado sim e por outro lado não, nada resolve.
Recordo que estamos a falar de uma criança e não de uma saco de batatas. Uma criança que não se chama Madelaine e não sabe se no futuro se chamará Esmeralda Porto como lhe chamam os jornais ou Ana Filipa como lhe chamam aqueles tipos com quem os tribunais a obrigam a estar enquanto não vai viver com o paizinho Baltazar.
eu não disse que existiam banalidades, por um lado e, por outro, não existiam.
Disse somente:
Existem banalidades.
A banalidade só existe se a tomares como tal, crendo eu que, quem a diz, não a reconhece como tal, por isso mesmo, a profere. (sou optimista)
na expressão «certas banalidades» a palavra «certas» devia ter ficado entre aspas, para significar que, às vezes, o que se diz, só na aparência parece banal.
por fim:
extrapolei. nada disto se referia às concretudes que gostas de analisar.
Muito se escreveu depois disto.
A Psicologia e a Psiquiatria não são ciências milagrosas, aliás nenhuma ciência faz milagres...
Esta sua afirmação, por exemplo:
Digo eu:«Bons cuidados será no entender de Sampaio andar com a menina a fugir da justiça, alterando a residência (e o próprio nome da criança para Ana Filipa).
Não tem nada de objectivo. É a sua interpretação (subjectiva) das palavras de Smpaio. Aliás o conteúdo da afirmação («fugir à justiça») não respeita à avaliação do referido juíz.
Objectivo aqui, seria mostrar como é possível um militar não cumprir uma ordem de um tribunal. blá e blá...
Digo:
não respeita à avaliação do referido especialista (Psiquiatra), mas ao juíz. É uma questão da Justiça...
deu para perceber
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