2150 - escrever e escutar o fado

Da minha honestidade é forte indício.
Sou Marceneiro, sim, porque trabalho,
Marceneiro no fado e no ofício.
Mar, ceneiro.
Gajo que faz cenas no mar.
Há um zarolho que, dizem, nadava com único braço, com única mão, que escreveu o fado da nação.
(qual seria o mão [a esquerda?] que nadava, qual seria a mão que segurava o escrito [a direita?] o que seria mais importante, nadar, segurar ou salvar, como mudar de mão sem molhar/salgar o futuro?).
Tive um tio já morrido, que se chamava Alfredo, recordo-o com rugas e silêncios, o meu tio Alfredo tinha muitas rugas mas tinha, ainda, mais sorriso.
Oiço Alfredo, o fadista... suponho-o assim, com um sorriso rugoso talhado na sabedoria.
Meu avô morrido, caído da ponte, marceneiro, carpinteiro, bicicleta trocista, ciclista por necessidade, não por vaidade, morrido com trinta e poucos anos de vida, três crianças sem um beijo de despedida...
Esculpir a madeira, talhar o destino, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado.
Pressionar palavras, imaginar futuranças, quando não se desiste, nada é triste, tudo são esperanças.
Passado e presente.
Presente e futuro.
Projectar o destino...
1 Comments:
Às más notícias o fado dá asas.
Abraço,bom fim de semana.
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