444/2010 - morcegos que tentam ver o sol
Aristóteles afirma (...) que nas coisas mais manifestas por natureza deparamos com dificuldade semelhante à dos morcegos que tentam ver o sol, então, se o nosso desejo não é em vão, o que desejamos é saber o que ignoramos. Com efeito, nenhum outro saber mais perfeito pode advir ao homem, mesmo ao mais estudioso, do que descobrir-se sumamente douto na sua ignorância (...) será tanto mais douto quanto mais ignorante se souber. [páginas 4 e 5]
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Também de Aristóteles, um excerto sobre liberdade: «se tiver uma pedra na mão, sou livre de ficar com ela ou de a deitar fora, mas se a atirar para longe já não poderei ordenar-lhe que volte para que eu continue com ela na mão.»
Liberdade de opção, liberdade de decisão, liberdade de pensamento, liberdade de dizer sim ou não. Há quem confunda liberdade com consensos e outras merdas que tais.
Ainda Aristóteles: «Há também os que não chegam a tomar nenhuma decisão. Estes são obrigados a perseguir o prazer, e a procurar escapar ao sofrimento causado pelo desejo insatisfeito. Pois, o que não seria capaz de fazer quando estivesse sob o domínio do acesso de ira? Por este motivo ser devasso é pior do que não ter domínio de si.»
Novamente Aristóteles:
«Os irascíveis depressa se irritam com aqueles que não devem e pelos motivos indevidos, ou então mais do que devem, mas, por outro lado, também, depressa deixam de se comportar assim. E é o melhor que têm na sua disposição de carácter. Quer dizer, ficam neste estado porque não conseguem conter a fúria e por precipitação dão logo, às claras, uma resposta de retaliação. A vingança faz cessar a ira, pois faz nascer dentro deles um doce prazer, ao expulsar a amargura do sofrimento. Pois, se não conseguirem vingar-se, vivem como que a carregar um fardo pesado. Na verdade, é porque esta maneira de ser não se manifesta facilmente, que ninguém consegue demovâ-los dos seus intentos vingativos, e é preciso muito tempo para se conseguir digerir a ira dentro de si. É assim pois que pessoas deste género são as mais inoportunas que há tanto para os seus melhores amigos quanto para os próprios.
Dizemos, então, que têm um feitio difícil aqueles que se zangam com as coisas que não devem, ou mais do que devem ou ainda durante mais tempo do que devem; estes não chegam a nenhuma reconciliação, sem terem tido primeiro uma oportunidade de se vingarem ou aplicado um castigo. »
Cara pessoa anónima,
Pode criar um «blog» dedicado ao pensamento de Aristóteles seria um êxito.
Este «post» é sobre um livro dum senhor alemão que nasceu em 1401 em Cusa (terra banhada pelo rio Mosela) chamava-se Nicolau Krebs, morreria em Itália, Todi no dia 11 de Agosto de 1464; nada a ver com Aristóteles, portanto.
Criava, pois, se soubesse como :-))
E não fui eu, mas o Sr. Nicolau, que trouxe o Aristóteles à ribalta.
Quanto a ignorância, douta ou não, prefiro ler esta: http://adoutaignorancia.blogs.sapo.pt/
Faço-lhe a vontade (anuindo no tal do consenso, porque não gosto de deixar ninguém irascível)e transcrevo algo de Nicolau de Cusa e relacionado com o livro e o post:
«É mister, porém, que quem deseja penetrar no sentido, ao invés de insistir nas propriedades dos vocábulos, os quais não podem ser adaptados, em sentido pleno, a tão grandes mistérios espirituais, deve, sim, elevar o intelecto acima da força e sentido das palavras.»
Eh, eh, eh
Tenho dúvidas, duvidando-me, que haja quem consiga abandonar a propriedade dos vocábulos.
Esqueci-me de referir a página, pode conferir a citação na página 46.
Como não quero parecer irascível, cito uma das minhas passagens preferidas (pela sonoridade) do livro em apreço:
«(...) chamaram-lhe carência por carecer de forma. E porque carece apetece. E, por isso, é aptidão, porque obedece à necessidade»
p.95
Prefiro esta, do livro em apreço:
«Convém, pois, sermos doutos em certa ignorância acima de nosso conhecimento, a fim de – já que não apreendemos a exactidão da verdade como ela é – sermos conduzidos pelo menos a ver que existe essa verdade que agora não logramos compreender.» Página 105.
Decidi seguir o seu conselho. Não criei um blog, mas criei uma conta com o meu nome.
Presumo que agora - que tenho um nome pintado de azul - já tenha existência. E já tenha legitimidade, na opinião de alguns, para comentar.
Balha-me Deus, nosso Senhor.
Tenho direito ao meu nome em azul ou não?
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