447 - fenda aberta
Amar é paixão na quantidade certa
É semente na fenda aberta
É semente na terra fértil
No amor (na vida)
Morre-se
Para nascer de novo
As palavras, as mesmas palavras podem-nos falar de estrume ou de amor.
A farinha, a mesma farinha pode servir para fazer pão ou bolos.
As mãos, as nossas mãos podem servir para acariciar a paz ou para amassar a guerra.
3 Comments:
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz. Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
Um abraço e bjks da Matilde
Assim como o amor, que é capaz de trazer toda a felicidade do mundo e todo o desalento ao mesmo tempo...
A propósito de mãos, lembrei-me deste poema:
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
(Cecília Meireles)
ps: acho que qualquer dia vou repeti-lo lá no meu mar.
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