470 - o caminho

Ir, indo por um caminho que não conhecemos, para o desconhecido, com um veículo que não sabemos qual.
O dicionário diz que escabroso é:
do Lat. scabrosu
adj.,
que tem grande declive, escarpado, íngreme;
fig.,
árduo;
difícil;
melindroso;
que se opõe às conveniências ou ao decoro.
adj.,
que tem grande declive, escarpado, íngreme;
fig.,
árduo;
difícil;
melindroso;
que se opõe às conveniências ou ao decoro.
Um caminho escabroso será, portanto, um caminho que se opõe às conveniências, árduo, difícil e melindroso... um caminho meu, o meu caminho.
7 Comments:
O que è fàcil demais, tambèm não dà gozo.Deve-se viver a vida com alguma escrabosidade.
Manuel Marques.
Não sei por onde vou, mas sei que não vou por ai...
É bem verdade, amigo Marques. São as dificuldades que nos fazem crescer, são os cabos das tormentas que temos coragem de dobrar que se transformam em verde esperança.
Maçã, durante muito tempo não soube que esse poema era (foi) um grito anti-fascista... não gostava muito dele pois parecia-me próprio de indecisos, contextualizado faz todo o sentido.
Um beijinho (que as nuvens escuras que rondam se transformem em raios de sol).
como dizia o outro:
"o caminho faz-se caminhando"
Pedro,
Normalmente é aquele caminho que ninguem o escolhe ...!
Só os destemidos o tomam e vencem as inconveniencias!
UM BOM FDS!
Bjks da matilde
Não só o teu Pedro. O de muitos.
bjs
Cântico Negro
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
José Régio
Enviar um comentário
<< Home