1199 - mais um que não leu sttau monteiro

Pela primeira vez vou colocar neste blog, extractos dum poema gay:
Gritos de dor,
Gritos de prazer
Que um homem também chora
Quando assim tem de ser. (...)
Fazes aqueles truques que,
Aprendeste no cinema
Mais! peço-te eu,
Já me sinto a viajar
Pára, recomeça e faz-me acreditar
Não, dizes tu,
E o teu olhar mentiu,
Enrolados pelo chão no abraço que se viu
Poema completo aqui...
11 Comments:
Caríssimo amigo, estou capaz de lhe fazer muitíssimo mal (a si, óbvio!).
Voltarei para comentar este poste com calma. Por agora, deixe-me dizer-lhe:
o poema foi escrito por um músico deste nosso país pequeno, que muito aprecio. Não sei se o senhor é gay, nem me interessa, pois que, não avalio as pessoas pelo facto de se deitarem com homens ou mulheres.
O meu amigo, não deve conhecer, o Ribatejo não produz inteligências desta natureza (semelhante ou igual á do autor do poema). Refiro-me, exactamente, a Pedro Abrunhosa, aquele que parece que canta e não mostra os olhos a ninguém.
Voltarei!
Cara Rosa,
Falei em poema «gay».
Achei curioso que nesta história (inventada, presumo) o homem chore de dor e de prazer, precisamente, porque contraria a tese de Luís Sttau Monteiro (os homens não choram).
Não me interessam nada as preferências sexuais do senhor em causa, obviamente cada um é livre de se passear com óculos escuros e algemas no bolso.
Este texto (o texto do artista) enquadra-se naquilo que considero: liberdade poética, os poetas muitas vezes transmitem sentimentos alheios...
Estimado amigo,
já é tarde e estou cansada. Certo, que já lhe disse, não ter lido o Sttau Monteiro. Quando o ler, conversamos sobre o assunto.
Meu amigo, pela estima que lhe tenho, gostaria que pudesse, em algum momento da sua vida de homem (já que faz questão de frisar), chorar de dor e prazer.
O poeta transmite-se a si, fala-se a si, o meu amigo, quando escreve, escreve-se a si, ainda que, possa não dar-se todo (aliás, isso, nunca acontece...) áquilo que escreve. A poesia é, também, uma construção, obviamente. O homem que escreveu este poema, escreveu-se a si, á sua vivência, ao seu desejo, ao seu pensamento... que envolve o alheio, claro está.
Talvez volte, amanhã.
Não frisei nada sobre a minha vida de homem (nem sei o que isso é). As pessoas são pessoas, seres humanos ponto.
Quanto ao gosto que formula, remeto-a para a primeira frase do «post»: Há uma primeira vez para tudo (salvo seja).
Bonjour Pierre!
Queira desculpar, não frisou a sua vida pessoal, mas conotou o choro ao género:um homem não chora; mais um que não leu Sttau Monteiro. Diria: as pessoas são pessoas, as pessoas, às vezes, choram. Ponto.
Trago-lhe o poema inteiro, os poemas, ficam sempre melhor inteiros, como as vidas completas.
Tudo o Que Eu Te Dou
Pedro Abrunhosa
Eu não sei
Que + posso ser,
Um dia rei,
Outro dia sem comer.
Por vezes forte.
Coragem de leão.
Às vezes fraco,
Assim é o coração.
Eu não sei,
Que + te posso dar,
Um dia jóias,
Noutro dia o luar.
Gritos de dor,
Gritos de prazer,
Que um homem também chora
Quando assim tem de ser.
Foram tantas as noites,
Sem dormir,
Tantos quartos de hotel,
Amar e partir.
Promessas perdidas
Escritas no ar,
E logo ali eu sei...
Tudo o que eu te dou,
Tu me dás a mim.
Tudo o que eu sonhei,
Tu serás assim.
Tudo o que eu te dou,
Tu me dás a mim.
Tudo o que eu te dou.
Sentado na poltrona
Beijas-me a pele morena
fazes aqueles truques
Que aprendeste no cinema.
+, peço-te eu,
Já me sinto a viajar.
Pára, recomeça,
Faz-me acreditar.
Não, dizes tu
E o teu olhar mentiu.
Enrolados pelo chão
No abraço que se viu.
É madrugada
Ou é alucinação,
Estrelas de mil cores
Ectasy ou paixão.
Hmm, esse odor
Traz tanta saudade.
Mata-me de amor
Ou dá-me liberdade.
Deixa-me voar,
Cantar, adormecer.
Refrão
Fica muito bem no seu «blog». Quando for publicado na língua de Juan Carlos, trago-lho, outra vez.
Excelente segunda-feira, para si!
Já o poeta dizia:
"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer".
Vamos interpretar isto de outra maneira:
"Áh Camões,se vivesses hoje em dia,
tomarias uns antipiréctios,
uns quantos analgésicos
e prozac para a depressão
Comprarias um computador,
consultrias a internet
e descobririas que essas dores que sentias,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!"
Onde se lê consultrias deve ler-se:
Consultarias.
Ah, não fosse Deus ter criado a mulher [melhor não ir lá, que vos faz mal ao coração!], o homem, por certo, viveria lodosamente neste empobrecimento simbólico.
Somente, a partir desta verdade, se pode, de alguma forma, fazer uma leitura «gay» deste poema.
Caro Pedro,
fui em busca de uma sinopse. Encontrei-a aqui:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/ouvir/reconstruir/08/homemnaochora03.html
Para concluir a observação a este seu «post», em verdade lhe ligo:
O autor do poema, leu Sttau Monteiro!
Valeu a pena, portanto...
Vale sempre a pena
quando a alma não é pequena... e esse blá, blá, poético...
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