1229 - A telescola (quando a televisão era a preto-e-branco e os sonhos a cores)
Dantes a televisão era a preto-e-branco agora é a cores.
Dantes a escola fazia-nos sonhar.
Há quem, ainda, sonhe e tome medidas (trancrevo na íntegra uma carta electrónica enviada por um amigo):
Dantes a escola fazia-nos sonhar.
Há quem, ainda, sonhe e tome medidas (trancrevo na íntegra uma carta electrónica enviada por um amigo):
Os professores do Departamento de Línguas e Literaturas, da Escola Secundária D. Maria II, Braga, na sua reunião ordinária de hoje, 5 de Março, abordaram, inevitavelmente, o modelo de avaliação que nos querem impor.
Após demorada, participada e viva discussão, os respectivos professores decidiram redigir e aprovar o documento que, de seguida, transcrevo na íntegra:.
Atendendo a que, sem fundamento válido, se fracturou a carreira docente em duas: professores titulares e não titulares; Atendendo a que essa fractura se operou com base num processo arbitrário, gerando injustiças inqualificáveis;
Atendendo a que os parâmetros desse concurso se circunscreveram, aleatória e arbitrariamente, aos últimos sete anos, deitando insanemente para o caixote do lixo carreiras e dedicações de vidas inteiras entregues à profissão;
Atendendo a que, por via de tão injusto concurso, não se pode admitir, sem ofensa para todos, que seguiram em frente só os melhores, e que ficaram para trás os que eram piores;
Atendendo a que esse concurso terá repercussões na aplicação do assim chamado modelo de avaliação, já que, em princípio, quem por essa via acedeu a titular será passível de ser nomeado coordenador e, logo, avaliador;
Atendendo a que, por essa via, pode muito bem acontecer que o avaliador seja menos qualificado que o avaliado; Atendendo a que o modelo de avaliação é tecnicamente medíocre;
Atendendo a que o modelo de avaliação é leviano nos prazos que impõe;
Atendendo a que o modelo de avaliação contém critérios subjectivos;
Atendendo a que há divergências jurídicas sérias relativas à legitimidade deste modelo;
Atendendo a que o Conselho Executivo e os Coordenadores de Departamento foram democraticamente eleitos com base nas funções então definidas para esses órgãos;
Atendendo a que este processo, a continuar, terá que ser desenvolvido pelos anunciados futuros Conselhos de Escola, Director escolhido por esse Conselho, e pelos Coordenadores nomeados;
Nós, professores do Departamento de Línguas, da Escola Secundária D. Maria II, não reconhecemos legitimidade democrática a nenhum dos órgãos da escola para darem continuidade a um processo que extravasa as funções para as quais foram eleitos;
Mais consideram que:
Por uma questão de dignidade e de solidariedade profissional, devem, esses órgãos, suspender, de imediato, toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação;
Caso desejem e insistam na aplicação de tão arbitrário modelo, devem assumir a quebra do vínculo democrático e de confiança entre eles próprios e quem os elegeu, tirando daí as consequências moralmente exigidas.
Notas:
1 – Dos 22 professores presentes, 21 votaram favoravelmente e 1 votou ccontra
2 – Para além de darem conhecimento imediato deste documento aos órgãos, ainda democráticos, da escola, os professores decidiram dá-lo a conhecer a todos os colegas da escola
3 – Decidiram também dar ao documento a maior divulgação pública possível, e enviá-lo directamente para outras escolas e colegas de outras escolas
4 – Pede-se a todos os professores que nos ajudem na divulgação deste documento, e que o tomem como incentivo e apoio para outras tomadas de posição
5 – Este documento ficou, obviamente, registado em acta, para que a senhora ministra não continue a dizer que nas escolas está tudo calmo, e que só se protesta na rua
6 – A introdução e as notas são da minha exclusiva responsabilidade
7 – Tomo a liberdade de agradecer com prazer aos professores da Escola Secundária D. Maria II, Braga, e principalmente às mulheres, as mais aguerridas, pelas posições firmes que têm assumido, e por rejeitarem qualquer outro lugar que não seja a linha da frente da luta pela dignidade docente. É um orgulho estar entre vós.
António Mota
António Mota
Escola Secundária D. Maria II, Braga
Penso que os professores (por assim dizer) não têm razão, mas lá está, não gosto do mundo a preto e branco.
Terão razão em algumas questões acessórias não a têm no essencial.
A culpada, no entanto, não é a ministra, não são os professores, os grandes culpados são os pa(i/í)s que se demitiram do papel de educar e acham que os professores têm, simultaneamente, de educar e instruir, obviamente, (quase) ninguém o assume a uns custaria muitos votos a outros uns sopapos.
5 Comments:
«Penso que os professores (por assim dizer) não têm razão, mas lá está, não gosto do mundo a preto e branco.
Terão razão em algumas questões acessórias não a têm no essencial.»
O meu caríssimo amigo, teve, então, oportunidade de ler na integra o Decreto Regulamentar nº2/2008?... podia explicitar as tais questões acessórias e diferenciá-las do essencial, por exemplo, que ainda não me foi possível digerir a totalidade de tal documento.
Obrigada
Todos têm culpa no cartório.
Ministra,
Professores,
Alunos e os respectivos encarregados de educação.
As novas tecnologias(Computadores)quando não aproveitados convenientemente,divorciam os alunos da aprendizagem,dos professores e dos próprios pais.
O manuel Marques é que sabe das cousas, nem mais, todos Têm culpa no cartório. E a culpa, paga-se (pagou-se).
Não é uma questão de ter, ou não ter razão.
É tudo uma questão de sacudir a àgua do capote.
...mas quem é que pretende sacudir a água do capote?
Ora essa, as pessoas, mostram ser racionais, quando procuram defender o emprego, certo?
Chateia-me é que gosto de preto... pronto, chateia-me!... andar vestida igual a tanta gente, perde «graça».
Enviar um comentário
<< Home