1380 - a verdadeira história da sardinha passada
Era uma vez, no tempo em que as histórias começavam por - era uma vez - uma sardinha que não vivia na Sardenha, não falava sardo nem era uma sarda pequenina, era uma sardinha, sardinha mesmo.
A nossa amiga, acho que podemos ser amigos de uma sardinha e esta é a primeira que nada neste blog.
Não é só no blog que ela nada, nada nela é semelhante às outras sardinhas, as outras são umas vão com as outras, sempre juntas, sempre em cardume, sempre com medo da net.
A nossa sardinha era descardumada, fazia a sua vidinha, barbatanas ao léu e sangue nas guelras.
Os pensamentos de uma sardinha individualista não são muito diferentes de qualquer indivíduo que pense.
O que quer a nossa amiga?
Coisas simples, nadar em liberdade até que um dia caia na net, fora da net conhecer um mundo novo e belo e ver o céu e ver o Sol.
E sonha, sonha com um homem que não a ache gorda, carne gorda, as sardinhas? e o ómega 3, ah... sonha com um homem que a aqueça que lhe tire, lentamente, o que a cobre e que a coma deliciado.
A sardinha sonha mas os pescadores e os camionistas e o governo e o Scolari, o sistema enfim não a deixam concretizar o sonho.
Mais um ano que passou, mais um ano que vai passar sem pepino e sem tomates por perto.
Nada, nada no mar porque não pode cantar no Santo António:
Ó meu santo de Lisboa
Diz-me qu'a vida não é só nadar
Queria um homem que me achasse boa
Que me soubesse saborear
Bibliografia:
Nota final:
Esta é uma história num estilo que não é o meu. Uma mistura de estilos. Atentando no texto encontramos pedaços de Mia Couto, um cheirinho de Quim Barreiros, um toque de Miguel Sousa Tavares a escrever histórias infantis, alusões aos irmãos Grimm e ao imaginário Disney, enfim um casamento entre a forma e o conteúdo que poderá ser considerado um rascunho de uma histórinha a sério.
2 Comments:
O FADO DA SARDINHA ASSADA
I
A bela sardinha assada
Um dia, fora de portas,
Foi pelo povo coroada
Como a rainha das hortas.
Nas feiras e ramboiadas
Faz boca à pinguinha; e os pilhas,
Pelas sardinhas assadas,
Até vão p' ra Cacilhas!
Basta só uma sardinha
Uma guitarra, uma trova,
P'ra apanhar uma tosguinha
Daquelas de caixão à cova.
II
Com pimentos à mistura
A murraça até desanda
Que a gente vai de banda!
E apanha uma grossura!
Sardinha assada tem fama
De ser petisqueira chalada,
Mas assim que ela se escama,
Muita vez há chapada!
As vezes se está com a telha,
Ao ver a gente com fome
Dá quatro pulos na grelha,
Deixa-se arder... ninguém a come!
Se este é o rascunho duma histórinha a sério, aguardamos o relato da própria história.
Este seu «post» político em mistura de estilos, deixa-me a pensar o que se comerá, na capital do reino, em noite e dia de Santo António, quando a sardinha não for p'ra «net».
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