Os caminhos nem sempre são aguarelas pintadas por Modigliani, nem sempre são pontes quese atravessam, que atravessarei daqui a pouco, de Norte para Sul, pela margem esquerda através das charnecas e das lezírias ribatejanas.
Os caminhos, por vezes, estão dentro de nós, percorrem-nos, interrogam-nos, confrontam-nos, confortam-nos ... inquietam-nos.
Nós somos os nossos caminhos, os que nos levam, os que nos trazem.
Na minha bicicleta de recados eu vou pelos caminho. Pedalo nas palavras atravesso as cidades bato às portas das casas e vêm homens espantados ouvir o meu recado ouvir minha canção. Na minha bicicleta de recados eu vou pelos caminhos. Vem gente para a rua ver a novidade como se fosse a chegada do João que foi à Índia e era o moço mais galante que havia nas redondezas. Eu não sou o João que foi à Índia mas trago todos os soldados que partiram e as cartas que não escreveram e as saudades que tiveram na minha bicicleta de recados atravessando a madrugada dos poemas. Desde o Minho ao Algarve eu vou pelos caminhos. E vêm homens perguntar se houve milagre perguntam pela chuva que jà tarda perguntam pelos filhos que foram à guerra perguntam pelo sol perguntam pela vida e vêm homens espantados às janelas ouvir o meu recado ouvir a minha canção. Porque eu trago notícias de todos os filhos trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos e um cesto carregado de vindima eu trago a vida na minha bicicleta de recados atravessando a madrugada dos poemas.
Pois aqui estamos a lembrar o dia 21 de Abril (sei do post 664...) e a desejar ter de novo entre nós o Amigo Pedro. Já abriram as inscrições. Contamos com o Amigo.
Hoje já não existem bicicletas de recados (existem biccletas pedaladas por viventes de lycra vestidos) nem poetas para os cantarem. Felizmente ainda existem caminhantes e caminhos para serem andados.
4 Comments:
Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminho.
Pedalo nas palavras atravesso as cidades
bato às portas das casas e vêm homens espantados
ouvir o meu recado ouvir minha canção.
Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Vem gente para a rua ver a novidade
como se fosse a chegada
do João que foi à Índia
e era o moço mais galante
que havia nas redondezas.
Eu não sou o João que foi à Índia
mas trago todos os soldados que partiram
e as cartas que não escreveram
e as saudades que tiveram
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.
Desde o Minho ao Algarve
eu vou pelos caminhos.
E vêm homens perguntar se houve milagre
perguntam pela chuva que jà tarda
perguntam pelos filhos que foram à guerra
perguntam pelo sol perguntam pela vida
e vêm homens espantados às janelas
ouvir o meu recado ouvir a minha canção.
Porque eu trago notícias de todos os filhos
trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos
e um cesto carregado de vindima
eu trago a vida
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.
Manuel Alegre.
"No caminho sempre existe uma e outra margem."
Pois aqui estamos a lembrar o dia 21 de Abril (sei do post 664...) e a desejar ter de novo entre nós o Amigo Pedro. Já abriram as inscrições. Contamos com o Amigo.
Um abraço
Hoje já não existem bicicletas de recados (existem biccletas pedaladas por viventes de lycra vestidos) nem poetas para os cantarem.
Felizmente ainda existem caminhantes e caminhos para serem andados.
Lumife, como já referi gostaria muito de aí voltar.
Um abraço
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