quinta-feira, janeiro 28, 2010

43/2010 - breve ensaio sobre a ignorância


É frequente apresentarem-no como astrólogo?
Já me aconteceu algumas vezes. Mas como já vou sendo conhecido, e as pessoas sabem desta minha aversão à ignorância, agora já têm algum cuidado. Nas primeiras vezes que ia às escolas fazia um grande esforço para explicar que a astrologia não é uma ciência. Durante algum tempo tentei combater isso. Ia a debates à televisão e dizia muito mal da astrologia. Depois fui percebendo que não se modificam as cabeças nem as convicções carregando num botão. Percebo que se puserem na mesma página de jornal um artigo de astronomia e um horóscopo as pessoas vão ler o horóscopo. Mesmo as pessoas que não acreditam naquilo. Isto é cultural.
Mudou de estratégia quando aborda o assunto.
Passei a controlar-me, falo com suavidade, e vou tentando que vão, de forma simples, percebendo a astronomia. Daqui a 20 ou 30 anos já não estou cá. Mas se houver meia dúzia de pessoas que percebeu que a astronomia é uma ciência em que há coisas que sabemos e explicamos e outras que não sabemos, vou para o céu. Morro de consciência tranquila.
O extracto pertence a esta entrevista.
É interessante a diferença entre o que acreditamos (ou não) e o que desejamos.
Poder-se-á inferir que o entrevistado não acredita em Deus mas deseja ir para o céu, sobre esta questão falaremos num post posterior.
Detenhamo-nos então, na ignorância.
A ignorância que atormenta o astrónomo/museólogo é a confusão entre astrologia e astronomia.
São duas palavras muito semelhantes para um não iniciado, pouco conhecedor dos mistérios astrais mas com um conhecimento médio da língua portuguesa; astrologia parece significar o conhecimento da lógica dos astros e astronomia o conhecimento do nome dos astros.
À primeira vista se biologia é a ciência que estuda a vida, astrologia seria a ciência que estuda os astros.
Na minha (modesta) opinião mais que desculpável confundir astrologia com astronomia é, perfeitamente, compreensível.
Na peça The Tragedy of Hamlet - Prince of Denmark, Shakespeare, diz-nos por intermédio de Polónio: Meu senhor, tratá-los-ei como merecem... responde Hamlet: Valha-te Deus, homem! Melhor! Se tratássemos cada qual como merece quem escaparia sem açoites? Trata-os antes conforme tua honra e dignidade; e quanto menos eles merecerem mais tu mereces por tua benevolência.
Maquiavel, também, defende (cito de memória) ao príncipe é melhor ser temido que amado.
Vamos mal se tivermos de temer o príncipe, se os ignorantes em vez de serem tratados com honra e dignidade passarem a ser açoitados.
O pelourinho pelo menos continua lá, disponível para cumprir a sua (dele) missão.
Talvez esta entrevista seja, apenas, um grande mal entendido... talvez venha a ser desmentida.
Talvez, quem lê estas palavras não saiba o que está dentro daquela mala, ignora-lhe o conteúdo.
Como diria o comentador chinelo anémico: Eu não percebo nada de medicina, por exemplo. Um doutorado em educação física é capaz de nada saber sobre filosofia. Um mestre em psicologia saberá algo sobre circuitos eléctricos? Somos todos ignorantes em campos que divergem das nossas competências e, ou gostos, e esmiuçando o discurso do Sr. Máximo (doutor, desculpe) somos todos ignorantes, menos ele.
No particular do conteúdo da mala até o Dr. Máximo é ignorante.
Há sempre alguém que sabe algo que nós ignoramos, há sempre algo que nós sabemos e mais ninguém sabe.

1 Comments:

Blogger manuel marques said...

Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender ...

quinta-feira, janeiro 28, 2010 8:35:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home

não é o fim, nem o princípio do fim, é o fim do princípio