sexta-feira, agosto 13, 2010

329/2010 - este tiago é o nosso camarada álvaro

O nosso camarada Álvaro...
Pessoas como eu valorizam pessoas como o camarada Álvaro, por tudo aquilo que lutou, por tudo o que sofreu.
Valorizo mas não desculpo.
A frase ali em cima foi-me dita por um camarada na Festa do Avante, eu quando estou com livros, esqueço-me do espaço e do tempo, tacteio-os, cheiro-os, vejo-os, sinto-os, aproprio-me, completamente, do livro enquanto objecto.
Lembro-o como se fosse hoje, estava num desses momentos de êxtase, quando ouvi a frase que lemos no título, pegava n' A Estrela de Seis Pontas e senti uma mão solidária no ombro, voltei-me e sorri, «o camarada Álvaro sabia muito de política mas pouco da vida de pessoas como nós» disse; «pouse o livro e vamos mas é beber um tinto e conversar» disse-me.
Pousei o livro.
Conversámos.
Manuel Tiago era um pseudónimo.
Eu e aquele senhor éramos anónimos.
Conhecemo-nos na convivência, nas palavras, nos sorrisos e na cumplicidade.
Chamava-se Armando Augusto Sobreiro Bom, era bom homem, morreu em 2004, não chegou a completar noventa anos.

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Está a ver amigo Pedro, também Álvaro Cunhal era um anónimo para todos os efeitos, e porque o sería? Qual era o seu interesse principal, a sua obra/mensagem ou a nomenclatura da peça? Ao assumirmos frontalmente a nossa identidade em fóruns desta ídole, somos etiquetados automáticamente e associados a ideais politicos, religiosos ou outros que tais (dependendo da nossa filiação ou proximidade a...), deixamos de ter opinião independente segundo a visão distorcida de certos analístas, percebe?
Digo-lhe mais, tal como já li num comentário neste post, perigosos são aqueles que não emitem opinião, limitam-se a malhar nos «campónios» omitindo os seus propósitos maquiavélicos, maltratando quem simplesmente dá um parecer. Perigosos são alguns pseudo-intelectuais de pacotilha que se socorrem deste meio de informação e divulgação, no intuito de alcançar vantagens na informação que recolhem «desinteressadamente» na blogosfera (uma pessoa culta e de convicções firmes, não necessita de fazer jogo rasteiro para singrar na vida). Percebe Pedro? «Nós» anónimos conseguimos discorrer sobre assuntos complexos que de outra forma estavam-nos vedados pela censura social e politica, devido ao paralelismo que imediatamente se estabelecia. Só é pena que pessoas com responsabilidades na comunidade, gostem de brincar ao gato e ao rato, quando deviam responder com factos palpaveis perante essa mesma comunidade. Só lamento que tenham um ego tão grande que não seja imune a criticas. Condena-se o comunismo na praça pública (estou à vontade, pois não tenho filiação partidária nem estou próximo de qualquer força politica), fala-se do KGB, mas tentam monopolizar/sonegar/adulterar informação que porventura seja incómoda. Tentam calar as vozes anónimas que se levantam contra a incompetência, tanto de quem está no poder mas mais ainda, dos outros que não têm capacidade para lá estar (incompetentes também somos todos nós por acreditarmos nos vendedores de sonhos).
Portanto meu caro, eu sou um ser curtido por muitas lutas (não sou infelizmente aquele que pareço), pronto para outras tantas e um sempre anónimo convicto.
O Politico Residente

sábado, agosto 14, 2010 1:51:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

A questão do anonimato na blogosfera, seja blogger ou simples comentador, quando o que está em causa é a opinião (educada) sobre a vida social (e política), pode não estar directamente relacionada com medo, coragem, (ir)responsabilidade ou timidez, penso eu, mas com liberdade – com a total liberdade de se poder opinar sobre qualquer coisa sem os entraves da própria vida familiar, social, profissional e política.
Por absurdo, pergunto: será que um rei, um presidente da república, um primeiro-ministro, um presidente da câmara ou um presidente de junta, poderia, livremente, opinar no blog do Sr. Pedro Oliveira e assinar (comprovadamente) ou não estaria, de certa forma, sempre limitado pelo estatuto que, por exemplo, obriga a dizer certas coisas em lugar próprio?
Repito, dentro dos limites do saudável relacionamento social, qualquer cidadão tem direito à opinião que não deve (devia) ser reduzida ao NOME, à LINHAGEM, ao ESTATUTO ou à CLASSE.
Todos diferentes, todos iguais, todos anónimos.
Não dou mais atenção a um blogger por ser filho de algo ou catedrático, por ter olhos azuis ou por ter ido à lua. Se as palavras me interessam, leio.
Claro que quando a liberdade resvala para a anarquia (ausência de regras), o anonimato torna-se perigoso, mas isso depende da consciência de cada um, ao comentar e, principalmente, ao ler comentários anónimos.
“Manuel Tiago” era um pseudónimo literário de Cunhal porque o seu estatuto político não se compadecia com devaneios artísticos.
Ora lá está, liberdade para fazer política, liberdade para fazer arte, águas separadas.
PS – Já agora, durante a oposição a Salazar, Cunhal era tratado, dentro do partido, por “Duarte” e na sua tradução do “Rei Lear” de Shakespeare, realizada entre 1953 e 1955, quando se encontrava detido na cadeia de Lisboa, adoptou o pseudónimo “Maria Manuela Serpa”(???).

sábado, agosto 14, 2010 2:59:00 da tarde  
Blogger Unknown said...

É completamente nornal que Cunhal e muitos outros, na realidade em que viviam se escondecem atrás de pseudónios e outros anonimatos.Não se venha agora branquear a actual situação de milhões de anónimos que poliferam na net com o único intuito de descarregarem as suas frustrações e outras coisas mais.

Abraço.

sábado, agosto 14, 2010 4:40:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O que é que isso tem a ver com a discussão, também há anónimos de 1ª e de 2ª, até aqui? Para se descarregarem frustrações não é necessário ser anónimo, podemos ter um nome pomposo e plantar os nossos fetiches, devarios ou mesmo romantismo, tal como um anónimo. A diferença é que a maluquice pode ter nome ou morrer anónima. Se calhar ainda, se a boboseira for assinada é uma obra de arte, se for renegada é uma... cagada!

quarta-feira, agosto 18, 2010 11:58:00 da tarde  

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