sábado, julho 05, 2008

1423 - este é o corpo, thomai




Quem és?
- Chamava-me Tracy, chamo-me Thomas
De onde vens?
- Venho do Hawaii
Para onde vais?
- Para onde me levar a irrealidade da vida.
Quando olhamos de muito perto nenhuma vida é normal.
Quando olhamos de muito perto nenhum corpo é normal.
Há sempre algo errado em nós.
Achamos sempre algo errado nos outros.
Não sei que motivação terá uma pessoa para querer ser homem sem deixar de ser mulher.
Thomas tinha, tem toda a utensilagem feminina (porque lhe deram identificação masculina, então?) do ponto de vista biológico a fecundação poderia ter sido feita de forma natural, da cintura para baixo, Thomas continua a ser aquela menina de vestido cor-de-rosa.
Até aqui está tudo bem Tracy/Thomas e a companheira são dois adultos e têm todo o direito de ser felizes como lhes aprouver.
E as crianças, senhoras?
A menina que nasceu a três de Julho carregará para sempre o fardo da avó que se suicidou, da mãe que não é bem mãe e do pai que não é bem pai.
Posso estar enganado mas julgo que podemos falar da nossa intimidade enquanto indivíduos, dos nossos sentimentos e anseios.
Podemos falar de nós.
Não devemos, não deveríamos falar das actividades intímas de outros, dos nossos filhos, por exemplo.

5 Comments:

Blogger pedro oliveira said...

«Thomas tinha, tem toda a utensilagem feminina»

Embora tenha uma identificação masculina, Thomas, morfologicamente, é mulher.
Manteve os orgãos sexuais internos e externos femininos, aliás, o próprio parto foi normal, sem recurso a cesariana.
Será homem?

«A menina que nasceu a três de Julho carregará para sempre o fardo da avó que se suicidou, da mãe que não é bem mãe e do pai que não é bem pai»

O problema não é a coisa, é a divulgação da coisa.
Thomas e a esposa ansiavam por ser pais (mães seria a palavra mais adequada) porquê toda esta mediatização?
A criança teria nascido tranquilamente e isso teria sido melhor para ela.
Na prática são duas mulheres que vivem juntas e recorreram a inseminação artificial para gerar uma criança.
Uma criança tem o direito à privacidade, daqui a uns anos será apontada na escola.

«não deveríamos falar das actividades intímas de outros, dos nossos filhos, por exemplo.»

Daqui a 6 anos, David terá 13 anos, como se sentirá quando lhe perguntarem na escola:
- Então a teu irmão continua-te a tocar? Parece que ele dantes gostava, pelo menos era o que a tua mãe escrevia do «blog».

A propósito do último parágrafo ressalvo que não conheço nenhuma das pessoas envolvidas, não faço ideia se a cena ocorreu na realidade ou não.
A intenção da mãe ao relatar u episódio tão íntimo terá sido a melhor, um miminho, contudo, é diferente contarmos um miminho à vizinha do lado ou colocá-lo legível para milhões de leitores dos quais nada sabemos.
Digo eu.

sábado, julho 05, 2008 9:26:00 da manhã  
Blogger r said...

Outro «post» sobre anatomia?
A visão do historiador sobre a factologia do corpo. Digo eu.
Bem, depois de me rir um bocadinho, sempre tentarei um comentário...
Este facto da vida, transformado em caso, terá matéria q.b. para a utensilagem pensativa daqueles tipos que estudam as mentes humanas.

Ora o pai(ou mãe?) teve um parto cristão. Saberá, agora, o que é parir em dor, portanto. Será que vai amamentar? A amamentação estabele (en)laces afectivos únicos, é necessário irradiar o recurso à alimentação artificial, cujo produto, não dispõe do designado colostro, fundamental para o recem nascido nas primeiras horas de vida, provoca mal-estar aos bebes, dá uma grande trabalheira, é financeiramente dispendioso, numa palavra: não presta!

«A menina que nasceu a três de Julho carregará para sempre o fardo da avó que se suicidou, da mãe que não é bem mãe e do pai que não é bem pai.»

Cada um de nós carrega sempre esse património herdado. Não escolhemos a mãe, o pai, os irmãos... herdamo-los.

Quanto ao último parágrafo do seu «post», é um excelente exemplo pueril da sociedade falocêntrica, que acolhe (?) cada um dos meninos e meninas que vão nascendo. Exactamente, a descrição d'um miminho de mãe babada com as brincadeiras dos seus rebentos. Não é de agora, como sabemos, o culto fálico, a diferença está na ferramenta e utensilagem de que nos socorremos para o manifestar. É necessário acordar estas consciências pueris, por amor de Zeus!

"Que coisa gira, o menino ter uma pilinha", imagine se gostasse de puxar orelhas, ou enfiar as peças do lego pelas narinas, ou dar dentadas aos coleguinhas no infantário, mas não, ele descobriu foi a pilinha. Que cousa fantástica. Não tarda muito, o puto redescobre a pilinha naquele jantar com o Director da empresa do papá, em pleno salão de jantar e, pimba: o menino é feio! Ora, a criança, ficará confusa, porque a mamã, afinal, nem gosta da pilinha ou será que... consciências pueris!
Digo eu que nem tenho pilinha nem inveja. Sou mulher, evidentemente.

sábado, julho 05, 2008 2:49:00 da tarde  
Blogger r said...

«Thomas continua a ser aquela menina de vestido cor-de-rosa.»

Talvez.
Thomas em menina de vestido cor-de-rosa, tem um olhar(expressão) muito triste.

sábado, julho 05, 2008 2:53:00 da tarde  
Blogger r said...

«é diferente contarmos um miminho à vizinha do lado ou colocá-lo legível para milhões de leitores dos quais nada sabemos.»

Talvez não. É discutível, do ponto de vista do próprio.

sábado, julho 05, 2008 2:55:00 da tarde  
Blogger Unknown said...

"A graça é para o corpo o que o bom senso é para a mente."

sábado, julho 05, 2008 3:37:00 da tarde  

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