segunda-feira, junho 14, 2010

267/2010 - até eu fazia, fazias, fazias




Ao olharmos alguns desenhos, esboços e riscos de Pablo, principalmente, na fase cubista, podemos ser tentados a pensar: isto até eu fazia.
É assim, também, na escrita, prosa ou poesia, isso até eu fazia...
Julgo que antes de descontruirmos algo, temos de ter um domínio profundo da construção.
Convencionou-se que a poesia moderna não precisa de rimar, talvez não precise, mas os poetas que escrevem poesia que não precisa de rimar, deveriam antes munir-se de uma utensilagem técnica que só se adquire com a prática; com a experiência, a escrever sonetos respeitando a métrica, a construir quadras respeitando a musicalidade silábica das palavras ditas.
Picasso nem, sequer, é dos meus pintores/artistas preferidos mas foi um homem invulgar, nascido: Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, em 25 de Outubro de 1881; morreria Pablo Picasso em 8 de Abril de 1973, quase noventa e dois anos duma vida preenchida.
Uma vida que alguns etiquetaram em fases, uma vida (na minha opinião) duma sensibilidade não etiquetável.
Detenhamo-nos no Camões da primeira imagem, o olho cego é o que melhor vê.
A segunda imagem é duma sensibilidade extrema, quem poderá ficar indiferente aquela mão direita que tacteia as curvas da jarra, com o gesto carinhoso de quem toca um desejo, à mão esquerda que segura o pão como se o deixasse levitar; o pão e o vinho... o corpo e o sangue.
Por falar em sensibilidade, olhemos a sensualidade da mãe, uma sensualidade sugerida não pelo peito que amamenta mas pelo ombro esquerdo que se desnuda, esquecido, lembrado, num momento de partilha, de amor.
A quarta imagem é daquelas que olhamos e dizemos:

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Parabéns pela perspicácia e pela análise sucinta quanto baste.
O Politico Residente

terça-feira, junho 15, 2010 9:52:00 da tarde  

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