328 - vestir a camisola

Carta aberta à Virgínia
Gi, não nos conhecemos, provavelmente, nunca lerás esta carta.
Gostaria que soubesses que o teu desenho me tocou muito e que me orgulho do poder vestir, do trazer encostado ao meu peito.
Olho, vejo, sinto o teu desenho... o menino negro, careca e coxo que vence a corrida, a "menina bem" com um lenço ocultando os efeitos da quimioterapia, o menino com um braço ao peito.
A doença (o cancro) não te toldou a sensibilidade, todos os meninos sorriem... como tu?
Gi, a tua sensibilidade iluminou-me, sabes nós, os grandes, ficamos infelizes porque não fomos promovidos, porque subiram as prestações da casa, porque aumentou a gasolina... ou porque o nosso clube não foi à «champions», julgamos que temos problemas...
Talvez já tenhas ouvido falar num senhor chamado Fernando Pessoa, escreveu muitas palermices, mas, escreveu esta grande verdade:
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças
Um beijinho...
[beijinhos e abraços, até amanhã à noite]

6 Comments:
gostei do que li
voltarei
jocas maradas
O cancro continua a matar e a ser esquecido. Sobretudo a não ser prevenido. Já perdi uma grande amiga dessa forma. Mais recentemente soube que a mãe de um colega do meu filho tem Cancro de Mama, em fase bastante avançada. As crianças são grandes, solidárias e lúcidas. Na escola, todos sabem o que se passa, participam em movimentos de esclarecimento e apoiam o seu colega. A vida é sempre de celebrar. A coragem, de louvar.
Hummm, apetece-me escrever mas não me ocorre nada com inteligência... Talvez porque as emoções são muito mais arrebatadoras do que qualquer raciocinio lógico quando lidamos com estas situações, quando as sentimos e quando estamos perto de alguém que sofre com um sorriso na cara.
Apetecia-me dizer qualquer coisa...
Jé te disse!
Maça,
Nem tudo o que dizemos tem de ser, necessariamente, inteligente.
Por vezes, são as coisas emotivas e menos racionais que dizemos que são as mais cristalinas e tocam mais fundo.
Outras vezes, não é sequer necessário dizer algo, emotivo ou racional, para que o outro sinta que estamos presente, entenda o que nos vai na alma e acredite na nossa incondicional disponibilidade para ajudar.
Para a Gi e seus amigos um beijinho especial.
quatro beijinhos
obrigado pela vossa sensibilidade.
podemos fazer pouco, esse pouco é melhor que ficarmos de braços cruzados.
Muito bonito Pedro.
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