terça-feira, março 25, 2008

1251 - no education nem mentes controladas


Cada um de nós resulta d'um gajo cabeçudo mas c'uma cauda muito grande que ultrapassou todos os outros e foi o primeiro a chegar.
Cabeçudos e cuzudos é esta a nossa essência.
Uma cabeça para pensarmos e um cu que serve para nos sentarmos, fazermos barulho e termos medo (quem tem cu tem medo, obviamente).
Disse Scolari: Bunda grande, não...
Actualizando Ortega y Gasset: yo, sou yo, mi bunda y mi circunstancia
Nasci em 1968, antes de Maio, sentei-me pela primeira vez numa cadeira escolar em Outubro de 1974, meia dúzia de anos, muitas dúzias de sonhos.
Olho para os comentários ali para baixo e suspiro, um gajo como eu nunca poderia ter 21 anos e uma licenciatura.
Nunca chumbei nenhum ano, neste blog não se usa a mariquice: ficar retido, as minhas desculpas... o eufemismo: ficar retido.
Recapitulando, 6 anos + 12 = 18 + 4 (licenciatura) = 22.
Chateado, pensei, já que a república me obriga a aprender a matar, antecipo o serviço militar obrigatório e depois logo se vê.
Assim era, assim fui.
Bem sei que muitos se esconderam atrás do vou estudar e tal, vou pedindo adiamentos, alguns encontrei-os lá na Entrada Para o Inferno, a chorarem saudades da mulher e dos filhos, a admirarem-se, tens 18 anos, Pedro e estás aqui...
A minha educação fez-se, com os meus pais, os meus avós, os meus irmãos, os «meus padrinhos» retornados de África, homens e mulheres que encontrava nas caminhos e nas estradas com pó (no Verão) e com lama (no Inverno) por onde empurrava pneus e carros de rolamentos, depois chegou o Partido Comunista Português, asfaltou todas as estradas, caiou todas as casas de branco (continua a distribuir cal), asfaltou-nos e caiou-nos, educou-nos e instruiu-nos, não a todos, não a todos...
Por isso digo não aos totalitarismos, aos bufos, aos cidadãos normalizados, por isso compreendo o grito de revolta daquela pobre criança que não queria o telemóvel nacionalizado pela professora, porque sou produto de Maio de 1968 e de Abril de 1974, sou pela liberdade, contra os totalitarismos, contra o pensamento único.
Pela liberdade...

7 Comments:

Blogger Rosa Oliveira said...

Já é tarde e eu , nem estou de férias, menos ainda, de «interrupção lectiva» [interromper um processo educativo é algo complicado, tipo: suspende-se?, aborta-se? outra coisa, que me dá que pensar], mas este seu «post» está fantastico.

A actualização do Gasset, supera a definição da «criança que não queria o telemóvel nacionalizado». A jovem, não sabe, porque não tem consciência disso, mas é filha do pensamento único, duma certa ordem que definiu as regras de funcionamento do sistema que a irá penalizar, em nome da justiça e de uma liberdade que ela (a jovem)revela desconhecer. Ninguém lhe ensinou! a começar pela mulher que a gerou, pariu e devia educar.

Amanhã (logo), obviamente, regresso.
Boa noite.

quarta-feira, março 26, 2008 1:19:00 da manhã  
Blogger João B. Pico said...

O Bastonário dos Advogados também sempre pronto a clamar pela justiça ontem na SIC achava que o caso da escola do Porto não merecia a intervenção do PGR...
Também ele acha que a escola deve deixar -se viver na complacência, às ordens das diatribes da ditadura dos alunos, que herdaram os maus hábitos de casa e transportaram-nos para a escola. Com um senão: em casa os pais estão muito pouco tempo e na escola os professores não estão para se chatearem muito com isso...
Desde que não lhe rasguem a gabardine, não há crime e o director que soube da conversa pela tal professora, também não mexeu uma palha...
O "puto" fez o mesmo que o Max Stahl fez no massacre de 271 pessoas no Cemitério de Santa Cruz
em Dili. E ainda sofreu por ter escondido a cassete enterrada numa campa, antes de ter chegado às mãos da Resistência Timorense e só assim o mundo civilizado acreditou que havia genocídio em Timor e condenou os Indonésios...

quarta-feira, março 26, 2008 9:29:00 da manhã  
Blogger Rosa Oliveira said...

Caríssimo Pedro a licenciatura aos 21 anos, remete para um «post» seu sobre aquela outra coisa: Bolonha.

6 anos + 12 + 3 = Desempregado

+

2 = Mestre, desesperadamente à procura do 1º Emprego que, no mínimo, lhe possa suportar o financiamento do Doutoramento em Portugal ou Espanha

O «ficar retiro», eufemismo, como lhe chama, remete (mas não só) para uma visão educativa e formativa do ensino básico, a sua concepção em ciclos (mais) alargados, ou melhor dito: como um todo. A crinça, tem, todo (não apenas aquele ano) o ciclo, para atingir as ditas competências....Teoricamente, parece interessante, porque existem distintos ritmos de aprendizagem, blá, blá... Não se faz, propriamente, claro!.... Depois explico. Nessa linha, existe um outro conceito, ainda mais eufemistíco, se quiser: «retenção repetida» e mais : «transicção pedagógica», nem queira saber!...

Por cá, usam a expressão: «perdeu», para designar o chumbo, tipo: O Manuelzinho, este ano, perdeu. Chumbou, portanto.

Bem gostava de saber como se fazem esses carrinhos de rolamentos, os meus meninos já me explicaram, mas não apanhei a coisa.

quarta-feira, março 26, 2008 3:40:00 da tarde  
Blogger manuel marques said...

E que tal começar a exigir aos alunos certificados de qualidade ?

quarta-feira, março 26, 2008 4:36:00 da tarde  
Blogger Rosa Oliveira said...

Certificado de Qualidade para os carrinhos de rolamentos?

D. bem se esforçou para me explicar pormenorizadamente, como se fazem e onde podia ir «comprar» os materiais, mas a minha mente estava absolutamente controlada de preocupação em redefinir-lhe o Currículo Escolar Próprio, de modo a fazer-lhe compreender a razão pela qual «árvore» é um «nome inanimado. Entretanto, subitamente, caiu granizo em Porto Santo. A janela não fechava, a Ficha de Trabalho ficou molhada, D. nunca tinha presenciado uma chuvada de granizo e, piorzinho, depois, suspenderam a TLEBS.

Moral da estória: confessei a D. que as árvores têm vida, salvo as que ardem de fogo posto pelos criminosos ilibados. Depois.

quarta-feira, março 26, 2008 6:46:00 da tarde  
Blogger Rosa Oliveira said...

D. não tem telemóvel, mas eu tenho máquina digital. Não fotografei o rosto de D., porque é crime. Fotografei a Ficha, fui eu que a fiz, fotocopiei e paguei. Sobre a janela, please, não contem a ninguém. O objectivo era registar o granizo, mas não sei fotografar.

http://pequenoescrito.blogspot.com/2007/04/vemo-las-as-coisas-estranhas.html

quarta-feira, março 26, 2008 6:53:00 da tarde  
Blogger Rosa Oliveira said...

Caríssimo Pedro,
venho dizer-lhe que olhei MST e, consegui, encontrar-lhe um rasgo de Sophia. Pequenino, mas encontrei. Foi há minutinhos.

quinta-feira, março 27, 2008 8:21:00 da tarde  

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