280/2010 - um homem sem princípios até ao fim

L' homme Revolté, Édicions Gallimard, 1951
(utilizei a Edição Livros do Brasil, Lisboa, sd, p. 247)
Mário Soares um homem cheio dele próprio.
Um homem que utiliza como arma o desprezo, no sentido que Camus lhe atribui no extracto ali em cima.
Soares desprezava Salazar porque o achava um provinciano sem instrução e acha-se um aristocrata, um herdeiro da ética republicana.
Soares desprezou Salgado Zenha, porque achou uma ousadia, Zenha, atrever-se a enfrentá-lo em eleições.
Soares desprezou (e despreza) Manuel Alegre porque achou uma ousadia, Alegre, atrever-se a enfrentá-lo em eleições.
Soares desprezou Sá Carneiro e Snu porque é um aristocrata conservador preso a um retrógrado republicanismo.
Soares desprezou e despreza Cavaco porque o achava um provinciano sem instrução e acha-se um aristocrata, um herdeiro da ética republicana.
Recordo as palavras de Camus: toda a forma de desprezo, desde que, intervenha na política, prepara ou instaura o fascismo.
Acham-no o mais ilustre português vivo, um princípio sem fim, acho-o sem princípios... até ao fim.
2 Comments:
Prefiro-o a ele que ao Bandido Salazar,
Abraço.
Camarada, a questão não é essa.
Talvez Soares seja mais parecido com Salazar que aquilo que ele próprio pensa.
Soares e Salazar partilham o mesmo aparente conservadorismo moral (questão de Snu/Sá Carneiro) a mesma intolerância intransigente com os que se atrevem a pensar de forma diferente.
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