512 - terceira classe
Quem somos nós os Portugueses que, há tantos séculos, vivemos neste ocidente da Europa?
Diz a História que somos descendentes de muitos povos antigos que se misturaram e confundiram.
Apesar disso, podemos afirmar que em Portugal só há uma nação, embora se notem do Minho ao Algarve, muitas diferenças na gente e nos costumes.
Assim, o Minhoto é naturalmente alegre, laborioso, pacífico e poupado. O Transmontano, habituado a viver entre altas serranias, acostumou-se a contar quase só consigo, e é forte, duro, desembaraçado, independente e hospitaleiro.
Nas serras da Beira Alta e da Beira Baixa encontramos um tipo muito parecido com o transmontano. O Beirão da Beira Litoral aproxima-se muito do feitio do Minhoto, pois é, como ele, poupado e trabalhador.
No Ribatejo encontramos um português orgulhoso, acostumado a lidar com toiros e cavalos, independente, corajoso e leal.
O Alentejano é outro tipo de homem: parece-se com o Estremenho, se não no aspecto exterior, pelo menos no conceito que faz da sua pessoa; é hospitaleiro e gosta de mostrar grandeza. Fora da convivência dos outros homens, é metido consigo e raro se lhe ouve uma cantiga, daquelas cantigas alentejanas tão lindas, que deixam na alma de quem as ouve uma impressão de saudade e de tristeza.
O Algarvio tem seus traços de comum com o Alentejano, mas é mais alegre, mais vivo, bom negociante e bom marinheiro.
Somos, pois, os Portugueses, um só povo, mas com caracteres que distinguem os habitantes de cada região.
este texto está nas páginas 62 e 63 deste livro, trata-se duma nova edição que adquiri, no mês passado, por cerca de quinze euros.
Alguns dos leitores com a minha idade e um pouco mais velhos terão estudado pela edição original, interessa-me dissecar as palavras a conguito (o conguito é meu) fá-lo-ei em vários «posts» com o título genérico: subsídios para a construção de uma identidade ribatejana ... todas as colaborações serão bem recebidas.
5 Comments:
E porque não dizer: "Por cada erro duas règuadas."No meu tempo,exactamente o tempo ,em que se usava o livro em questão, a minha professora que o foi ,da primeira à quarta classe e me fez a admisão à Escola Industrial usava o sistema : se sabes a lição na ponta da lingua ,levas dois rebuçados se não a sabes e dàs erros, toma que è para aprenderes.
Manuel Marques.
"A terra è redonda faz sentido." No entanto tambèm hà que ter em atenção, "que ao virar da esquina,ou è jà ali," dito pela maioria dos alentejanos ,e segundo rezam as històrias, nos fazem percorrer umas boas lèguas.
Manuel Marques.
Caro Manuel,
Em boa verdade nunca usei o livro em questão, existia na casa dos meus pais (tenho dois irmãos mais velhos). Li-o da mesma maneira que lia livros de «cow-boys» e outra banda desenhada.
http://santamargarida.blogspot.com/2006/06/365-minha-guerra.html
Interessa-me enquanto documento, como objecto de estudo para interpretar algumas formas de pensar e de agir, questões como «o respeitinho é muito bonito» e a incapacidade que muitas pessoas têm de pensar e, fundamentalmente, de questionar.
Sei lá quem somos? Uma amálgama de pessoas,sentimentos,vontades,comportamentos... Nada mais! Já não há identidade (digo eu)
No meu caso,já não sei se sou da Beira Litoral,parecido com o minhoto,ou da Beira Alta,parecido como transmontano...Só sei que estou na Beira Litoral a pensar que tenho de ir,ainda hoje,para a Beira Alta,porque a minha mãe,que está com a minha filha doente em casa, precisa de ir para Trás-os-Montes, ainda hoje.
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