terça-feira, maio 30, 2006
361 - beijar uma lágrima

Deixa-me rir
essa história não e tua
falas da festa, do sol e do prazer
mas nunca aceitaste o convite
tens medo de te dar
e não e teu o que queres vender
Deixa-me rir
tu nunca lambeste uma lágrima
desconheces os cambiantes do seu sabor
nunca seguiste a sua pista
do regaço à nascente
não me venhas falar de amor
Pois é, pois é
há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda Feira
Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
de que falas com tanto apreço
esse curioso alambique
onde são destilados
noite e dia o choro e o riso
Deixa-me rir
Ou então deixa-me entrar em ti
ser o teu mestre só por um instante
iluminar o teu refúgio
aquecer-te essas mãos
rasgar-te a máscara sufocante
Pois é, pois é
ha quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda Feira
Jorge Palma
segunda-feira, maio 29, 2006
360 - liberdade, menina
359 - bUSC

«Ainda apanhas uma indigestão; o que tratando-se de um bicho que se assemelha à lesma, não deve ser agradável. Para a maioria dos nossos autarcas a palavra CULTURA é um sucedâneo de CONSTRUÇÃO.»
Caro João, sucedâneo é uma substância que pode substituir outra, assim, dizes que para a maioria dos nossos autarcas a CULTURA substitui a CONSTRUÇÃO, para a maioria, talvez [duvido] em Constância, não, de certeza, naquela terra, na nossa terra é muito mais importante um metro de terra alcatroada que uma criança a chorar com fome ou um velho a apodrecer na solidão.
Caro António, percebo o teu humor, os caracóis são uns bicharocos ranhosos e tal e a situação prestava-se à piadola, eh, eh, eh.
Contudo, discordo...
Teria, terei muito gosto em cumprimentar a senhora, não porque nos unam laços de amizade, sim, porque julgo que ambos pretendemos o melhor para o nosso concelho.
Os ataques que faço são políticos, nunca pessoais, ataco ideias e atitudes não as pessoas.
Vou efectuar uma confissão, há alguns anos participava com alguma regularidade na «Bancada Central» nunca disse qual o meu clube, efectuava análises abrangentes, estruturais.
Num dos programas com o Prof. Manuel Sérgio em estúdio, comparei o sr. mourinho a Noah, se há alguém que admiro no desporto é o tenista francês, lembro-me de o ver a dizer que uma bola sua tinha sido fora (o árbitro queria dar-lhe o ponto e a vitória milionária), recordo-me de dizer que desporto era competir, não era vencer a todo o custo ... lembro-me do Prof. responder, pois, mas, o Mourinho é muito amigo da família, como se isso o ilibasse de todas as velhacarias.
Estiquei-me no exemplo, mas, está lá o essencial, todos podemos ser óptimos pais, óptimos filhos, excelentes maridos e esposas ... interessam-me são as atitudes, as atitudes políticas. .
358 - se sonha, cegonha

Não percebo nada de fotografia...
Sou um simples amador [ não profissional e «gostador»].
As máquinas que utilizo são do mais banal que se tem visto, a olympus que fotografou as cegonhas custou-me trinta e tal euros (em segunda mão), não percebo nada dos 200 asa, dos 400 asa ou de «zooms» e tal.
Vejo, gosto do enquadramento e disparo, como em miúdo apontava a fisga [a latas e tal, não achava piada nenhuma a apedrejar seres vivos] e lá vai disto...
A propósito de enquadramento, esta fotografia tem um óptimo enquadramento, duas cegonhas em quadrados diferentes...
Mais cegonhas ... aqui.
Mais palermices ... aqui.
domingo, maio 28, 2006
357 - escova de graxa ou arma de arremesso? [caracóis]
sexta-feira, maio 26, 2006
356 - medronhos bravos
Memória[1]
Olhar para uma página em branco, faz-me sentir como a minha mãe ao olhar a farinha antes de lhe dar forma. Enquanto ela amassa pão... eu amasso palavras, umas com violência, outras com carinho, tentando que ao tendê-las elas tomem um destino, um sabor.
A transição do Inverno para a Primavera, é um período que nos predispõe à reflexão, a efectuarmos balanços.
“Há uma Primavera em cada vida/ É preciso cantá-la assim florida/ Pois se Deus nos deu voz foi para cantar/ E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada/ Que seja a minha noite uma alvorada/ Que me saiba perder p’ra me encontrar”. Estes versos de Florbela Espanca, ajudam-nos a reflectir, a pensarmos no sentido da vida e no sentido da morte, tal como as sementes, também, nós, por vezes, sentimos necessidade de morrer no Inverno para nascer na Primavera.
“Se tu soubesses como o tempo é lento, esperando/ tu voltarias como o Sol na Primavera/ Trazendo molhos de palavras como cravos/Trazendo o grito de uma força que se espera/ E cheira a seiva, medronhos bravos”.
Num tempo de guerras é necessária Paz, é em nós que a devemos buscar. Os versos acima, escritos por Ary dos Santos, falam-nos de um tempo que para muitos deixou de fazer sentido, um tempo em que os cravos brotavam no cano das G3, um tempo em que a seiva escorria nas árvores (não nos parques ambientais), um tempo em que havia medronheiros (antes de os asfaltarem)... um tempo em que a LIBERDADE, mais que um sonho, era um desígnio.
Vou terminar como comecei, com uma reflexão sobre a família, o gratificante que é colher o que se semeou, numa terra adubada com o sangue, o suor e as lágrimas dos nossos... o bom que é molhar o pão no azeite que esmagámos ou beber o vinho que calcámos com os nossos pés.
[1] s.f. faculdade que o espírito tem de evocar fenómenos passados; fama; exposição sumária; pl. escrito em que o autor narra factos que ele presenciou ou em que participou.
quinta-feira, maio 25, 2006
355 - uma menina chamada Liberdade

A todos os que colaboraram um profundo agradecimento, a todos os outros que por aqui vão passando, obrigado por visitarem estas páginas...
Espero que amanhã consigamos ser livres...
terça-feira, maio 23, 2006
354 - wwwando e rindo...

Ontem estive sem linha telefónica, achei que o céu tinha desabado na minha cabeça.
Afinal, foi simples a resolução, tudo voltou ao normal, a selecção da república perdeu, Carrilho continua palerma, eu continuo a escrever disparates... cada vez mais longe.
domingo, maio 21, 2006
353 - nem sempre...



sábado, maio 20, 2006
352 - galo novo, galo velho
«Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia»
VC said...
O GALO VELHO E O GALO NOVO
Um fazendeiro resolve trocar o seu velho galo por outro que desse conta das inúmeras galinhas.
Ao chegar o novo galo, e percebendo que perderia as funções de cobridor do galinheiro, o velho galo foi conversar com o seu substituto:
- Olha, sei que já estou velho e é por isso que meu dono te trouxe para cá, mas tu poderias deixar pelo menos duas galinhas para mim.
- Que é isso, velhote?! Vou ficar com todas!
- Mas só duas... Ainda insistiu o galo velho.
- Não. Já disse! São todas minhas!
- Então vamos fazer o seguinte, propõe o velho galo, apostamos uma corrida em volta do galinheiro. Se eu ganhar, fico com pelo menos duas galinhas; se eu perder, são todas tuas.
O galo jovem mede o velho de cima a baixo e pensa que, certamente, este não será capaz de vencê-lo.
- Tudo bem, velhote, eu aceito.
- Já que, realmente minhas chances são poucas, deixe-me ficar vinte passos à frente, pediu o galo velho.
O mais jovem pensou por uns instantes e aceitou as condições do galo velho.
Iniciada a corrida, o galo jovem dispara para alcançar o outro galo. O galo velho faz um esforço danado para manter a vantagem, mas rapidamente está a ser alcançado pelo mais novo.
Nesse momento, o fazendeiro pega na espingarda e atira sem piedade no galo mais jovem.
Guardando a arma, comenta com a mulher:
- Não estou a entender ... !
NADA NEM NINGUÉM SUBSTITUI A EXPERIÊNCIA!
As lutas de galos fazem parte de algumas culturas, existem.
No caso em apreço podemos olhá-lo de três formas e retirarmos uma moralidade diferente de acordo com esse olhar.
Do ponto de vista do fazendeiro:
O homem do campo (como eu) avesso à mudança. O Sol sempre nasceu por trás daquele monte e sempre se pôs lá ao fundo junto ao rio. O galo velho galava as galinhas.
Porquê agora estes galos novos a correrem atrás do galo velho?
Teriam visto o filme do Ang Lee?
[como rapaz do campo, afirmo que os galos não são mortos à cartuchada, corta-se o pescoço e aproveita-se o sangue para fazer arroz de cabidela].
Do ponto de vista do galo novo:
O galito presunçoso, fanfarrão e arrogante (o Mourinho da capoeira) não lhe basta chegar e desempenhar a sua função, sente prazer na humilhação, não vê o «outro» como um colega mais velho e experiente, despreza-o como o governo despreza os excedentários, depois duma vida de trabalho e dedicação, o velho, o galo velho seria, apenas, um fardo.
Do ponto de vista do galo velho:
O sábio, aquele a quem a vida ensinou muito, retira da experiência, ensinamentos (o Pacheco Pereira da quinta) a sabedoria da calma e da ponderação.
Sabe que o seu tempo está acabar, mas, não se resigna a ser encostado.
Poder-se-á retirar, mas, sempre a lutar, daí o desafio ao primeiro galo [neste primeiro desafio ele não podia antecipar o que ocorreria ou dir-lhe-ia a experiência que o fazendeiro tomaria aquela atitude? nunca o saberemos...] poderia perder, perderia lutando...
Respeito os comentários que foram colocados na caixa de comentários do «post» anterior.
Estão muito bem fundamentados, vejo a «blogosfera» assim mesmo um espaço leal de debate e de partilha de opiniões.
[novidades no «lomo»]
sexta-feira, maio 19, 2006
351 - um amigo, um grande amigo...

Não me incomoda nada e não deixarei que a opção sexual dele interfira na nossa amizade.
Rimo-nos e bebemos juntos como os amigos fazem, comemos feijoada de polvo e espicacei-o: «pensava que os "gays" não comiam feijoada...»
Apertámos as mãos, falámos de futebol, dos "pseudo-machos" que povoam a televisão (ainda bem que não vejo televisão) falamos de nós e dos outros...
Celebrámos a nossa amizade (não se estiquem na interpretação da palavra "celebrar", ok).
Fui livre, fui para o Bairro Alto até às tantas...
Sou livre para dedilhar estas palavras e pensar: "porque não planifiquei a aula mais cedo?"
Talvez lhes conte, talvez, conte aos «meus meninos» que tenho um amigo "gay" e que ele se libertou ao confessar-mo e eu fiquei feliz, por mim, por ele...
quinta-feira, maio 18, 2006
350 - anos setenta
348 - rumo à derrota
quarta-feira, maio 17, 2006
347 - quando os olhos se molham

Camões, tcharam... termina os Lusíadas com a palavra inveja, mas, (há sempre um mas) refere-se à falta de inveja [sem que Alexandre de Aquiles tenha inveja].
Anda meio mundo a citar o final dos Lusíadas e afinal aquilo que Camões escreveu foi que somos um povo sem inveja.
Eu não a possuo, julgo que a inveja é um sentimento provocado pela falta de auto-estima.
Já vos confidenciei aqui as minhas correrias, há alguns anos que atravesso a ponte a correr (mini maratona) normalmente, os primeiros, passam por mim entre o museu da electricidade e a estação de comboios de Belém (eles após quase 20 Kms, eu cerca de 6) dizia, passam por mim com uma velocidade fantástica, enquanto eu me arrasto, olho-os sempre com um ar sobranceiro e penso: se eu quisesse, havias de ver... [isto não é inveja, é uma confiança ilimitada nas nossas capacidades, aquele rapaz do Quénia só ganha a corrida porque eu deixo, pois, se eu quisesse treinar e tal, tornar-me-ia uma Vanessa Fernandes versão macho.]
Todo este desperdício de palavras, para falar num amigo e no livro dum amigo, tal como Pessoa, deixo-te esta mensagem:
«Todo começo é involuntário.
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário
E inconsciente.
À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce. "Que farei eu com esta espada?"
Ergueste-a, e fez-se.»
Quem te viu e quem te vê...
Vou parar para não molhar o teclado [um homem, também, chora], fico/estou muito feliz por ti, por mim e por todos os bichinhos que nascem dentro das maçãs, olham em volta e descobrem que, provavelmente, haverá vida nas outras maçãs e nas outras macieiras, há quem nos tente matar com pesticidas, ou normalizar em caixinhas ridículas...
... as verdadeiras maçãs sabem a Sol e a Terra, não têm corantes nem conservantes, possuem dentro delas o bichinho que se interroga e que procura saber, o que será...
... a ética em enfermagem
terça-feira, maio 16, 2006
345 - edadrebilliberdade

Voltei, mais cedo que as previsões efectuadas.
A minha aula de sexta-feira será sobre a liberdade.
Gostaria que comentassem estas reflexões (se estiverem para aí virados).
Liberdade é fazer o que quero ou o que devo?
Quem limita a minha liberdade, eu ou os outros?
Faz parte da minha liberdade não usar capacete, fará parte da liberdade dos outros varrerem-me os miolos para a valeta e deixarem-me ficar?
[este último exemplo é um bocadinho chocante, mas, estou a utlizar a minha liberdade de chocar (nos vários sentidos)]
Podem utilizar o e-mail: pedrolliveira@gmail.com se pretenderem efectuar comentários longos, anexar textos, poemas, fotos ou comentários onde relatem experiências pessoais [a confidencialidade será, obviamente, respeitada].
domingo, maio 14, 2006
344 - peregrinação, segunda parte

Estou devedor duma explicação.
O que aconteceu?
Como já disse em «posts» anteriores sou vendedor de sonhos, vou utilizar a palavra peixe neste.
Dizia, sou vendedor de peixe há cerca de quinze anos e tenho estado sempre na mesma peixaria, há um mês e tal candidatei-me para ir coordenar a peixaria de Vila de Rei, por vários motivos, primeiro porque era em Vila de Rei [razões de regime], segundo, actualmente, vendo peixe em Lisboa e Vila de Rei fica, substancialmente, mais perto de Santa Margarida da Coutada [outros têm casa de férias, eu possuo uma casa de trabalho (arrendada) em Lisboa, digamos que é uma garagem onde me estaciono durante os dias de trabalho], terceiro porque o bairro onde trabalho, trabalhava, não tem nada a ver com o que conheci há quinze anos (a única coisa boa são as vistas), quarto acho que está, estava na altura de dar a volta à minha vida profissional e porque me sinto, sinto com capacidade e vontade de ser útil noutras funções.
Pensava eu que a reunião (a primeira em quinze anos) era por causa disso, afinal, não, era, apenas, para me comunicar que ia deixar de vender peixe no mercado do Bolhão e que iria vendê-lo para a lota de Matosinhos.
Esta mudança levou-me a revisitar a cidade, pois, amanhã vou «nascer» noutro ponto dela.
[modo de utilizar este «post» acompanhar da audição deste poema na voz de Mariza]
343 - és pouco velho és

Bem, o velho não é o BB King, sou eu.
Quando me lembro de falar sobre o passado, reporto-me ao milénio anterior.
Reparem nesse bilhete está impresso uma moeda que já não existe [o escudo] e um banco que foi absorvido [banco pinto & sotto mayor].
BB King a par de Martin Luther King é uma das inspirações para a minha monarquice, que não tem a ver com sangue azul nem com revistas cor de rosa, tem a ver com a alma dum povo [vejam o verso das moedas cunhadas na república, dizem Portugal, não é? e as tralhas da bola?... somos uma república envergonhada de o ser, é o que é].
Para ver mais bilhetes e «blogs» bem interessantes, incluindo culinária visitem este amigo e comentem (se vos apetecer, claro!).
342 - peregrinação
A marginal, o«cacau» na ribeira, santa apolónia (local de tantas partidas e chegadas), avenida da liberdade, o monumento mais lindo de lisboa, a praça onde vivem as palavras de ary, sophia, alegre e salgueiro, a «minha» faculdade, a praça do decapitado.
sábado, maio 13, 2006
341 - eu não diria melhor ...
este «post» ficará sem comentários quem pretender comentar, comente no original
[em actualização]
[em actualização]
sexta-feira, maio 12, 2006
340 - os «blogs» que há por aí [1.]
http://www.frozentwo.blogspot.com/
este casamento peruano, também, está airoso (que tal se comentássemos em português?):
http://kenymarce.blogspot.com/
umas fotos giras (a sério):
http://lucas-premier-portfolio.blogspot.com/
um professor na Guiana francesa:
http://akouarel.blogspot.com/
quando me armo em parvo (ver comentário):
http://atouguia.blogspot.com/2005/11/azeitona-muita-mas-nenhum.html
[obviamente, não seguiram a minha sugestão, assim é que é]
339 - os sonhos dos nossos anciãos

Uma vez li que se a «macumba» resultasse o campeonato da Baía acabaria sempre empatado, é, precisamente, isso que penso.
Por outro lado se Deus existe não estará mais preocupado em resolver o problemas das crianças «enmoscadas» e esfomeadas de África que interferir no resultado dum desafio de «pontapé na borracha»?
Quando olho para trás e releio este «post» parece que o escrevi há muito tempo, hoje, provavelmente, escrevê-lo-ia de outro modo.
Diz o chefe índio:
«A vossa religião foi escrita em placas de pedra pelo dedo de ferro de um Deus encolerizado, para que não fosse esquecida. O Pele-Vermelha nunca poderia relembrar ou compreender isso.
A nossa religião é a tradição que vem dos nossos avós, é os sonhos dos nossos anciãos, transmitidos pelo Grande Espírito, e é também as visões dos nossos Chefes. Ela está escrita no coração do nosso povo.
Os vossos mortos deixam de vos amar e também à terra que os viu nascer logo que transpõem o limiar das suas sepulturas. Eles vagueiam muito para além das estrelas, são esquecidos rapidamente e nunca mais voltam. Os nossos mortos nunca esquecem este belo mundo que um dia lhes deu vida. Eles continuam a amar os sinuosos rios, as altas montanhas, os vales escondidos, e constantemente espalham a sua dedicada afeição sobre cada ser vivo, e muitas vezes regressam para visitarem e confortarem os vivos.
O dia e a noite não podem morar juntos. O Pele-Vermelha sempre evitou a aproximação do Homem-Branco, como a neblina da manhã na encosta da montanha evaporando-se antes do aparecimento do Sol»
Ao reler estas palavras há uma frase que destaco:
O Pele-Vermelha sempre evitou a aproximação do Homem-Branco
será que os índios iam ao cinema?
quinta-feira, maio 11, 2006
338 - não, obrigado

comentarei assim:
«Se queremos energia
sem envenenar o ar
Temos o calor do sol
o vento e a força do mar»
os nostálgicos de 1982 podem saciar as saudades da Lena.
337 - a cruz e os sonhos

Imaginemos uma pessoa que morreu (um velho, eram sempre velhos), um cemitério a quatro ou cinco quilómetros duas igrejas em cada uma das pontas do percurso, um caixão para transportar duma ponta à outra.
Naquele tempo (início dos anos 70) [a electricidade chegou à minha terra em 1971] não existiam carros funerários, os mortos eram transportados em ombros e mais tarde no «carro dos mortos».
Organizava-se o funeral, à frente ia um menino vestido de branco empunhando uma cruz, esse puto era eu, com cinco, seis anos.
Não tenho muitas memórias desse tempo, recordo que já nessa altura ajudava à organização da coisa (afinal eu era um profissional experiente) normalmente, as famílias andam um pouco atarantadas, tinha-se (tem-se?) muita dificuldade em lidar com a morte, como se o encontro com a ceifeira não fosse a única certeza que possuímos.
Não fiquei, minimamente, afectado com o meu primeiro emprego remunerado (a remuneração variava entre 1$00 e 5$00, normalmente, os pobres pagavam mais [toda a gente dava o que queria] pois, aos ricos o dinheiro faz mais falta [assim me iniciei no marxismo / capitalismo, sentindo-o, para o mesmo trabalho, recompensa diferente].
Acreditava (não acredito) que funcionava como intercessor, ajudava o senhor que estava dentro do caixão (eram sempre senhores, as senhoras nunca morrem, ainda hoje é raro) a irem para o céu.
A imaginação é uma coisa fantástica numa criança e durante aqueles quilómetros fazia o filme todo.
O caixão descia à terra, as mulheres choravam, ah e tal eras tão bonzinho (alguns eu sabia que eram velhacos, mas, não dizia nada).
Umas pázadas de terra e pronto.
Voltávamos costas e a alma (a alma era tipo os fantasmas dos desenhos animados, um lençol com dois olhos) subia para o céu... simples e eficaz.
Acho (tenho a certeza) que o menino que fui continua a habitar esta carcaça velha de orelhas grandes, às vezes ouço-o segredar-me: as coisas são simples Pedro, não compliques, aquilo que fica de nós é a nossa capacidade de nos darmos, é a maneira como tocamos os outros, o importante não é quem somos, é aquilo que de nós sobreviverá nas pessoas a quem nos damos...
Tenho tanta pena, de tantas vezes não o escutar, de amordaçar (matar) as crianças que vivem em mim (de mim).
Como passei de carregador de cruz a vendedor de sonhos?
É uma longa história... fui operário fabril (fábrica de automóveis), ajudante de electricista, vendedor de livros (porta-a-porta), vendedor de inquéritos ( a médicos), segurança, professor, tenho um curso de construção e manipulação de fantoches, efectuei (com este e outros meninos) o levantamento sócio-económico do meu concelho, trabalhei num posto de combate a incêndios (coordenava a saída de helicópteros, avisava os bombeiros... [conheci nesse trabalho uma pessoa fantástica, o comandante Jofre, que a terra te seja leve, comandante]), trabalhei em animação cultural com crianças (tempos livres)...
Agora estou bancário, vendo sonhos a crédito...
Detestaria que alguém me definisse pela profissão que tenho, sou um pouco de todas as profissões que exerci (esqueci-me de dizer: soldado da república) de cada uma delas colhi ensinamentos que moldaram a pessoa que sou, a profissão não me define, como poderia?
Sou alguém que deixou de acreditar na cruz, mas, continua a acreditar nos sonhos.
quarta-feira, maio 10, 2006
336 - pedrão esteve lá e tirou notas (parte um)

Não?
Ora bem, um «post» sobre o pontapé na borracha e a literatura.
A primeira marca a fabricar bolas de borracha foi a «Good Year».
Álvaro Magalhães referiu um pormenor que é recorrente neste «blog» a importância da borracha, a árvore da borracha (sul-americana) a técnica versus a força, tentando demonstrar a apetência genética? para o manuseamento (presumo que manuseamento venha de mão, não me digam que tenho que inventar a palavra: peseamento) da «redondinha».
Para alguns frustrados, enquanto medíocres jogadores, a técnica da força é melhor que a força da técnica.
Para aqueles que como eu saborearam a vitória em encontros (a que outros chamariam lutas, para mim era apenas o prazer de estar) decisivos, que sabem o sabor de olhar um guarda-redes nos olhos (não como inimigo) e pensar: «azar, amigo... vais buscá-la lá dentro».
Na tal penalidade decisiva nem sequer pensei: «e se falhar?» um penalty não se falha.
Olho, gosto, sinto o futebol não como vitórias "haja o que houver", mas, sim como a procura da beleza que existe em todas as actividades humanas.
Partilho com o Ivan o gosto pela estética das derrotas, antes a derrota do Brasil de 1982 (Luisinho, Sócrates e Zico) com a Itália (Paolo Rossi) que as manhosas vitórias do Chelsea, actual.
(continua)
334 - vão rolar cabeças...

«Não há machado que corte
a raíz ao pensamento
não há morte para o vento
não há morte
Nada apaga a luz que vive
num amor num pensamento
porque é livre como o vento
porque é livre»
A liberdade está em se ser dono da própria vida. (Platão)
[gamado... aqui]
Isto sou eu a preparar-me para uma entrevista que, provavelmente, alterará o rumo da minha vida a nível profissional.
Espero que não me venham com paternalismos (maternalismos?) do género: sabe o que era bom para si...
Não sei por onde vou, mas, sei que não vou por aí...
Enfim, vou procurar ser igual a mim próprio, lutar, lutar muito, dignificar a camisola, o Pedro Oliveira vai comer a relva (a alcatifa?)... prognósticos só no fim ...
terça-feira, maio 09, 2006
333 - antónio, era a brincar... pá!

Essa fórmula mais parece de um adolescente!»
Ah, grande psac74, assim é que é...
O amigo preca desde esse «post» que me ignorou, para eu ganhar juízo.
Hoje participei neste debate, que foi, extremamente, interessante («post» sobre o tema amanhã).
Aprendi que o futebol é primário e animalesco...
O «post» do cachecol era (foi) uma provocação, aliás, jamais misturaria religião e futebol... a não ser por brincadeira.
Julguei que isto fosse suficiente para mostrar a importância que atribuo ao pontapé na borracha.
332 - santamargarida II
I - santa
II - rama
III - ira
IV - grama
V - saída
[confesso que não sei se consegui apreender o objectivo e aplicar o método!]
Terça-feira, Maio 09, 2006 12:24:55 AM
pedro oliveira
Conseguiste.
As palavras como as pessoas possuem dentro delas outras que esperam que alguém as descubra e liberte.
Dentro de: santamargarida, ainda, há mais à espera de liberdade, podem fazer como a asninha e alterar os acentos...
Terça-feira, Maio 09, 2006 6:03:59 AM
SP
VI - tâmara
VII -mariana
VIII -marginar
IX - magia
X - magana
XI - manga,
XII - magnata
XIII - grita
XIV - data
XV - ramada
XVI - manta
XVII - damas
Terça-feira, Maio 09, 2006 9:38:11 AM
asna
se é uma questão de liberdade... liberta, também, estas:
XVIII - tia
XIX - rima
XX - amarra
XXI - rata
XXII - sida
XXIII - nada
XXIV - ata
XXV - ARMANDA
XXVI - MARIA
XXVII - MARA
XXVIII - DANI
XXIX - SARA
XXX - SIMARA
XXXI - NIDA
XXXII - RITA
Terça-feira, Maio 09, 2006 12:06:56 PM
pedro oliveira
Tanta coisa à espera de liberdade...existe pelo menos, mais uma.
Acho que vou patentear a ideia, um sudoku com letras, parece-vos bem?
asna
A mim parece-me excelente.
Pedro, faltam ainda muitas ... mas mata a minha curiosidade: em tua opinião qual é a que falta?
Terça-feira, Maio 09, 2006 12:53:59 PM
pedro oliveira
XXXIII - árida
SP
Mais algumas para o teu sudoku de letras:
XXXIV - angra
XXXV - gandaia
XXXVI - matar
XXXVII - iman
XXXVIII - ditar
XXXIX - arma
XL - manada
XLI - gastar
XLII - garantia
XLIII - garraiada
XLIV - garra
XLV - gandara
XLVI - tarda
XLVII - tirana
XLVIII - radiar
XLIX - atrasada
Terça-feira, Maio 09, 2006 4:21:40 PM
Podem os comentários passar a post?
Julgo que os comentadores sabem que os comentários, como os «posts» são públicos, por outro lado haverá leitores que não sabem ou não querem abrir as caixas de comentários.
Tal como tinha dito no post 309, muitas vezes o comentário é melhor que o comentado.
O «post» 330 era de algum modo intimista, sem explicações, vinte e uma palavras numeradas...
Asna, sp... não vos direi obrigado (para que não me digam que não era para agradecer [acho que já escrevi isto, algures]) ... mas, imaginem aquilo que vos queria dizer, o prazer que me deram com os vossos comentários.
SANTAMARGARIDA é, também, o nome duma terra, da minha terra, fizeram-na de algum modo vossa ao descobrirem tantas palavras presas dentro dela, ficaria muito feliz se fosse tão fácil libertar as pessoas, com a mesma facilidade que libertaram as palavras...
331 - rastejarás para sempre...

Na minha opinião o maior mistério do: Génesis.
O livro que ilustra esta prosa é muito recomendável.
Para a menina que gosta de sonhos, para o menino que gosta de palavras.
Não vou contar a história, mas, deixo uma sugestão comprem o livro, leiam (lê-se para aí em duas horas) e depois ofereçam a alguém.
Tem-se prazer duas vezes (o que já não é fácil) quando se lê e quando se oferece.
Algumas passagens escolhidas ao acaso:
«não acredito em nada que não faça sombra»
«era isto que os fiéis adoravam. Uma representação possível, colada a um templo, colada aos homens. Uma ideia de perfeição. A fé tem épocas, os sonhos mudam. Os rostos ainda mais. Talvez o Corão esteja certo ao proibir as figurações» p. 97
«repara (...) que assim como há sol na palavra solidão, há mel na palavra melancolia. Tanto mel.» p. 27
Novidades no meu projecto mais personale
segunda-feira, maio 08, 2006
330 - santamargarida
domingo, maio 07, 2006
329 - balanço do pontapé na borracha

Se o sport lisboa e benfica venceu por duas vezes o futebol clube do porto...
Se o sport lisboa e benfica foi derrotado por duas vezes pelo SPORTING CLUBE DE PORTUGAL...
... quem mereceria ser campeão ?
sábado, maio 06, 2006
328 - vestir a camisola

Carta aberta à Virgínia
Gi, não nos conhecemos, provavelmente, nunca lerás esta carta.
Gostaria que soubesses que o teu desenho me tocou muito e que me orgulho do poder vestir, do trazer encostado ao meu peito.
Olho, vejo, sinto o teu desenho... o menino negro, careca e coxo que vence a corrida, a "menina bem" com um lenço ocultando os efeitos da quimioterapia, o menino com um braço ao peito.
A doença (o cancro) não te toldou a sensibilidade, todos os meninos sorriem... como tu?
Gi, a tua sensibilidade iluminou-me, sabes nós, os grandes, ficamos infelizes porque não fomos promovidos, porque subiram as prestações da casa, porque aumentou a gasolina... ou porque o nosso clube não foi à «champions», julgamos que temos problemas...
Talvez já tenhas ouvido falar num senhor chamado Fernando Pessoa, escreveu muitas palermices, mas, escreveu esta grande verdade:
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças
Um beijinho...
[beijinhos e abraços, até amanhã à noite]

327 - cavaqueando
Todos os leitores já tiveram de aturar aquelas secas dos amigos a mostrarem as fotografias das férias.
- Olha nós, no oceanário
- Olha a Mimi, no quarto de hotel
- Olha eu, ao lado duma troglodita [esta é verídica, ouvi-o com as minhas orelhitas (orelhitas?) duma colega regressada da Tunísia].
Isto será mais ou menos isso, mas, com paisagens e locais.
As fotografias tiveram a ser disputadas entre o «lomo» e o «santa», o «lomo» levou a melhor... portanto, fotografias de espigueiros e das praias da Galiza, dos frescos e das capelas de Alvito, das flores e do céu do Alentejo será lá...
Esta fotografia foi tirada no mesmo dia desta... almocei no Cavaco, com o Soares a espreitar ao lado, é o que se chama almoçar em má companhia, só e mal acompanhado.
A comida estava óptima (não me lembro o que foi, mas, se não tivesse gostado lembrar-me-ia) e o tinto, também.
326 - terry fox

«Corrida Terry Fox a 6 de Maio no Parque das Nações
A Embaixada do Canadá em Portugal organiza, no próximo dia 6 de Maio, pelas 11h00, no Parque das Nações, em Lisboa, a 5ª edição da Corrida Terry Fox, cujos receitas reverterão a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
A iniciativa que conta com o alto patrocínio de Maria José Ritta foi apresentada publicamente no passado dia 15, contando com os apoios do nadador José Couto, da atleta Rosa Mota, do piloto Pedro Couceiro, do manequim Pedro Reis e da actriz Sandra Coias.
A corrida decorre pela segunda vez no Parque das Nações, depois do sucesso que foi a edição do ano passado, em que a participação subiu em flecha, chegando aos 2.000 corredores, contra os 700 registados em 1998.
A Corrida Terry Fox tem como objectivo colaborar com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, no combate à doença, e rendeu no ano passado mais de 13 mil contos.
Terry Fox foi um jovem canadiano, a quem, aos 18 anos, foi diagnosticado um cancro dos ossos na perna direita, o que originou a sua amputação.
Durante o seu internamento no hospital, Terry ficou de tal forma impressionado com o sofrimento dos outros jovens igualmente com cancro, que decidiu atravessar a pé o Canadá, afim de angariar fundos para esta doença.
Esta corrida, realizada, em 1980, ficou conhecida por “Maratona da Esperança”.
Devido à sua grande determinação, e apesar de ter uma perna artificial, Terry conseguiu percorrer a pé, durante 143 dias, um total de cinco mil quilómetros, interrompendo a meio a corrida devido à progressão do cancro, que o viria a vitimar em Junho de 1981.»
Resumindo: vou dormir para amanhã (hoje) estar em forma...

sexta-feira, maio 05, 2006
325 - jornal de referência?

Eu, ainda, sou do tempo que o Público era considerado um jornal de referência, agora temos sexo estampado logo na primeira página (ver canto superior esquerdo).
Por outro lado os pacotes de açucar vêm estampados com mexericos, que interesse tenho eu em saber que o ex primeiro-ministro anda enrolado com uma cantora?
324 - antónio capela

No centro da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
Não é biombo de sala
Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que a diga António Capela
Teresa Torga, Teresa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha
Zeca Afonso
Conheci o António, acabou a sua longa carreira como repórter fotográfico do Record.
Recordo um homem alto todo vestido de negro, incluindo o chapéu, nunca surgiu a oportunidade do questionar sobre esta história, agora é tarde.
Se algum dos leitores me puder elucidar...
Agora é modelo à força, remete-me para aqui.
quinta-feira, maio 04, 2006
322 - gases a aumentar

Depois deste concurso a «blogosfera» nunca mais será a mesma.
Os gases estão a aumentar... chamem-lhe efeito estufa.
[um beijinho e força alien]
321 - leigos para o desENVOLVIMENTO... (segunda parte)

O prometido é devido ou mais vale tarde que nunca... reler este.
Ao contrário daquilo que esta página sugere os Leigos são (pelo menos eram) um espaço de liberdade onde as diferenças são (pelo menos eram) aceites.
Efectuei a formação dos Leigos em 2000/2001 (corresponde a um ano lectivo, com fins-de-semana de voluntariado em diferentes organizações de cariz social. Eu estive a trabalhar com senhoras deficientes mentais e foi das experiências mais gratificantes que tive até hoje... pessoas capazes de te cuspirem a comida para a cara [como as crianças], capazes, também, de te acariciarem, de transmitirem afecto e reconhecimento como ninguém) numa altura em que questionava muita coisa, acho que não deixei de questionar, pois não?
Estas palavras foram escritas há cinco anos, voltaria a escrevê-las sem alterar uma vírgula:
«Voluntariado e desenvolvimento.
A proposta de trabalho que nos foi solicitada era no sentido de efectuarmos uma reflexão sobre aquelas palavras.
Voluntariado pressupõe, um acto e uma escolha livre, algo que se faz porque se quer. Ser voluntário é estar disponível para servir, é estar aberto a outras pessoas, é pensar que aquilo que nos propomos fazer tem a ver connosco e com a nossa liberdade individual e, fundamentalmente, com os outros, com aqueles para os quais a nossa acção é dirigida.
É curioso como nunca tínhamos pensado nisso, mas só em grupo, só em sociedade se pode ser voluntário. O voluntariado é sempre direccionado, parte de um indivíduo integrado numa determinada sociedade e tem como objectivo servir esse grupo ou outros a ele ligados, directa ou indirectamente.
Desenvolvimento - de todos os sinónimos que podíamos escolher para esta palavra, optamos por fazer crescer, tornar mais forte... será esse o objectivo do desenvolvimento? Fazer crescer? Tornar mais forte? ... podíamos acrescentar, tornar mais iguais a nós.
Desenvolver, vamos falar deste tema não em termos gerais mas em termos concretos, isto é, vamos falar da nossa sociedade dita ocidental ou do hemisfério norte em oposição à do hemisfério sul, como muito bem retrata Quino, dos que vivem de cabeça para baixo, em oposição aos que vivem nos Estados Unidos ou na Europa de cabeça para cima.
Dissemos em oposição? Sim, de facto era isso mesmo que queríamos dizer, em confronto. São duas maneiras diferentes de encarar o sentido da vida. Nós (os de cabeça para cima) preocupamo-nos como viver. Eles (os de cabeça para baixo) preocupam-se como sobreviver.
Estamos em presença de dois interesses, aparentemente, antagónicos, dum lado os dos de cabeça para cima, do outro os dos de cabeça para baixo [ os dos de, soa mal, mas, é mesmo assim]. Será que estes interesses são conciliáveis? Se são, como?
Parece-nos que há uma resposta óbvia - aproximarmo-nos - como? fácil, basta que uns baixem a cabeça e que os outros a levantem.
Desenvolver pode não ser sinónimo de modernizar. Existem maneiras diferentes das sociedades se organizarem.
Na nossa opinião ser voluntário para desenvolver só faz sentido se encararmos o desenvolvimento como um abraço que se dá e se recebe, quando abraçamos alguém, damo-nos, mas, também, recebemos, quando o abraço termina separamo-nos e desenvolvemo-nos.
Foi essa a grande lição que retiramos da formação dos Leigos, o "envolver" e deixar "des envolver", não só ajudar com a nossa presença e o nosso testemunho, mas, trabalhar de modo a que a semente que plantamos e ajudamos a germinar possa crescer com o apoio e o carinho daqueles a quem se destina.»
para os que tiveram paciência de ler tudo, uma palavra: obrigado (espero que tenha valido a pena)
fotografias obtidas em 2006.Abril.22 na auto-estrada a caminho de Alvito, estava lindo o céu, não?
quarta-feira, maio 03, 2006
320 - liberdade de imprensa

Angola um excelente país para realizar palestras sobre a liberdade.
Outro seria esta ilha.
Raúl Rivero seria um excelente orador, um bom «explica-dor».
Sobre Raúl escrevi um dia:
Em Abril passado falei-vos de Raúl Rivero, um poeta cubano que estava preso por, pensar, porque tinha cometido o “pecado” de questionar o regime comunista em que vive, pois bem, Raúl foi libertado no último dia de Novembro do ano passado.
Quando saiu disse-se: “Muitas pessoas contribuiram para esta libertação”.
Gostaria de lhe dizer um dia: “Raúl, este jornal, também, esteve contigo, também, acreditamos na liberdade e na opinião liberta de amarras”.
terça-feira, maio 02, 2006
318 - escova de graxa ou arma de arremesso?

Ao ler muitos dos «posts» que escrevi durante os nove dias úteis de férias que tive, poder-se-á pensar que um «blog» é um exercício narcisístico, alguém que mostra (tenta mostrar) aos outros e a si próprio, quem é (quem foi).
A ideia não era essa, era reflectir sobre o passado, reflectindo, também, sobre o presente, por outro lado foi a maneira que encontrei de colocar todos os leitores em «pé de igualdade», pois, existiam leitores que me conheciam fisicamente, outros não, assim todos conhecem o corpo e o rosto não, apenas, as ideias.
O «blog» não é, ou melhor não deverá ser um fim em si mesmo.
Alguns «blogs» que visito funcionam como um circuito fechado, têm amigos que lêm, à noite encontram-se no café e comentam os «posts» uns dos outros, outros não, abrem-se aos outros e é dessa troca de ideias e de opiniões com pessoas diferentes e «desconhecidas» que surgem muitas vezes conclusões interessantes.
O «blog» é sério, mas, poder-se-á entregar a exercícios lúdicos.
Deixar-lhes-ei dois exemplos retirados do mesmo «blog»:
Exemplo um... o «post» ao serviço de causas.
Exemplo dois... o «post», aparentemente, disparatado que coloca trinta e tal pessoas a dissertar sobre um rolo de papel higiénico vazio.
Vemos, portanto, que o mesmo «blogger» age de acordo com motivações que não obedecem a um esquema fixo, poderá ser alertar para algo ou simplesmente divertir-se, divertindo os outros.
O «blog» poderá, ainda, servir para elogiar ou criticar, nada será condenável se não houver a intenção de através da crítica ou do elogio obter proveitos, proveitos esses que poderão ser tão ridículos como isto:
Um senhor que conhecem da televisão em conversa com um «blogger» (percebi pelo conteúdo) ... o vosso «blog» está muito bom, já fiz um «link» para lá, se quiserem podem fazer, também, um «link» para o meu...
(continua...)